Hiltor Mombach

Entenda porque os grandes querem a Liga e não os regionais

A primeira rodada da Liga levou mais de 55 mil torcedores aos estádios nas quatro partidas, uma média superior a 13 mil torcedores por jogo. Atlético-MG e Flamengo foi o grande responsável por isso, com 30.378 pagantes no Mineirão.
Certamente a média seria bem melhor se a CBF reconhecesse a Primeira Liga como uma competição oficial. Não apenas não reconheceu como tentou melar a competição até o último momento, com uma série de ameaças aos times participantes e aos árbitros que atuassem nas partidas. A rodada foi na quarta-feira. Na segunda-feira, a competição foi vetada pela CBF.
Os 13 mil pagantes significam uma média muitíssimo superior a do Gauchão de 2015, que ficou em míseros 4.587 pagantes. Com Inter e Grêmio.


É fácil entender porque os grandes clubes querem fortalecer a Liga. Com Inter e Grêmio a média do Gauchão de 2015 foi de 4.587 pagantes e, sem a Dupla, ficou nos 1.8 mil. A média da maioria dos demais regionais não é muito diferente e, em alguns, chega a ser inferior. Seis times tiveram média a inferior a mil pagantes no Campeonato Gaúcho do ano passado: Novo Hamburgo (966), Avenida (751), Aimoré (731), Cruzeiro (721), Veranópolis (602) e São José (195). Ao final do regional fui ouvir vários dirigentes de clubes do Interior. A queixa era geral: não suportavam mais o prejuízo. Em muitas rodadas, agremiações tiveram que buscar dinheiro para pagar a arbitragem, pois a bilheteria havia apresentado prejuízo. Não deve ser diferente em 2016, com a crise financeira agravada.


O Brasil de Pelotas, que estreia contra o Grêmio, mas jogando em Caxias do Sul, teve a melhor média de público pagante entre os representantes do Interior em 2015: 6.852. Ficou atrás de Grêmio (19.945) e Internacional (15.857). O Juventude ficou bem atrás do Brasil na quarta posição: 3.400.
O Ypiranga de Erechim, que neste momento encara o Internacionalno estádio Beira-Rio, obteve a quinta melhor média de público: 2.800. Desbancou tradicionais disputantes do regional como o rebaixado Caxias, com média de 1.425.
Há muito tempo chamei o Gauchão de caravana da miséria. Não gosto do rótulo, pois cresci ouvindo jogos do regional pelas ondas da Guaíba. Outros tempos. Hoje, merece o rótulo dado. É uma miséria só.