Hiltor Mombach

Entorno da Arena: ficou decidido que nada está decidido

O gerente de contratos da OAS, Fabio do Vale, acompanhado do estafe da construtora, esteve conversando nesta semana com o pessoal da Associação das Empresas dos Bairros Humaitá-Navegantes.
Assunto em pauta: o entorno da Arena do Grêmio.
O relato que segue é do presidente da Associação, Luiz Carlos Carmargo.
Para ele, pouco ficou esclarecido:
“Disseram que não poderiam falar muito pois o acordo com a Procuradoria-Geral do Município não estava assinado, mas que o assunto estava bem encaminhado e nas tratativas finais.
Pelo que pudemos entender a situação é a seguinte.
Em 2007, quando foi assinada a contratação da obra da Arena, para ter a aprovação, eles apresentaram como contrapartida apenas a elaboração dos projetos e detalhamentos do que teria de ser feito no entorno, mas que a execução seria por conta do município.
MP contesta
No entanto, o Ministério Público contestou e, em 2012, foi inaugurada a Arena, mas só o estádio, e o empreendimento (apartamentos, salas comerciais, shopping, etc.) virou tema de discussão, até que em 2014 foi assinado um Termo de Contrapartidas, mas aí incluía também a execução das obras, por conta da construtora.
Nesse momento estourou a Lava Jato e os fatos começaram a ficar complicados de vez.
No entanto, já havia sido lançado o primeiro empreendimento que é a Vila Liberdade. Eles conseguiram os alvarás para esse prédio e continuaram a vender os demais.
Contrapartidas
Fizeram algumas contrapartidas, como a rótula da A.J. Renner com Leopoldo Brentano, várias escolas e creches, associações de recicladores de resíduos... informaram terem investido mais de R$ 30 milhões (incluindo aí os projetos e detalhamentos), mas o MP decidiu endurecer e recomendou que a prefeitura para que não liberasse os alvarás do segundo empreendimento, que são mais três prédios que já estão prontos, mas não podem ser habitados.
Entraram na justiça e ai o caldo entornou de vez.
Novo termo
Não vai muito, todas as partes envolvidas resolveram conversar (prefeitura, MP, Grêmio, e bancos financiadores) e estão em fase final de elaboração da assinatura de um novo termo (na realidade será o terceiro...) onde a responsabilidade deles (OAS) será apenas executar as obras de duplicação da A.J.Renner, desde a Dona Teodora até a rotula da Arena. Não deram um prazo definitivo para que isso aconteça, pois segundo eles, que são os mais interessados no desfecho desse imbróglio todo, depende de outros envolvidos.
A Associação
Nossa entidade representa mais de 40 empresas localizadas no 4º Distrito(rua Ramiro Barcelos até o entorno da Arena) e somos o elo entre essas empresas e o Poder Público, buscando solução para problemas de mobilidade urbana, serviços básicos, segurança, responsabilidade social e outras que surgem.
Em dias de jogos, sofremos muito
Luiz Carlos Carmargo: “Em dias de jogos e eventos na Arena somos profundamente afetados pelo congestionamento enorme que se cria nas principais vias do bairro (Voluntários, A.J. Renner, Ernesto Neugebauer, Frederico Mentz, Farrapos, 3ª Perimetral Norte, etc..).
Isto complica os deslocamentos de nossos funcionários para retornarem às suas casas e também o deslocamento dos ônibus de linhas intermunicipais que têm suas garagens aqui. Além de outros transtornos, como lixo em excesso deixados pelas ruas, sem contar os alagamentos, muito frequentes por aqui.”