Hiltor Mombach

Entrevista com Fortunati

Em 2009, quando a Fifa confirmou Porto Alegre como uma das 12 sedes da Copa do Mundo de 2014, as principais ações previstas para cidade eram as citadas abaixo. O que foi feito, o que deixou de ser feito e quais os motivos.


Antes de mais nada é importante citar que muitos projetos em andamento hoje na capital são anteriores a confirmação de Porto Alegre como cidade sede, e outros não foram pensados para a Copa de 2014. O que fizemos foi aproveitar a oportunidade para buscar recursos e financiamentos com melhores condições para que pudéssemos tirar esses projetos do papel e deixar para a cidade um grande legado em termos de infraestrutura.



Duplicação da avenida Edvaldo Pereira Paiva (Beira-Rio). A obra, que liga a zona Sul ao Centro da cidade, permitirá melhoria no tráfego, aumentando a capacidade da rodovia.


Praticamente concluída. Falta apenas finalizar o trecho entre a Rótula das Cuias e a Usina do Gasômetro e o Viaduto Pinheiro Borda, onde as obras estão em pleno andamento. É a única obra de mobilidade necessária para a realização da Copa do Mundo e ficará pronta para o evento.



Plano Urbanístico da avenida Tronco. Com extensão de 3,5 quilômetros, a Tronco une a avenida Carlos Barbosa à Icaraí, sendo uma nova alternativa para a circulação na região.


É um projeto de 5,3 km de extensão que vai revitalizar e valorizar toda aquela região da cidade. Além da duplicação da via, teremos a implantação de corredor de ônibus, ciclovia, todo o tratamento paisagístico e o reassentamento de 1.525 famílias que viviam em condições precárias e agora terão a tão sonhada casa própria com mais conforto, segurança e qualidade de vida.


Essa obra atrasou porque tivemos que realizar 3 licitações para a construção das habitações do Programa Minha Casa, Minha Vida. Na primeira não tivemos empresas interessadas. Na segunda a construtora que se candidatou não foi aceita pela Caixa. E finalmente na terceira, a prefeitura incrementou o plano financeiro em 6 CUBs por unidade e finalmente tivemos uma vencedora. Começamos a tocar o projeto e agora a tramitação junto à Caixa está lento, devido à demasiada exigência imposta para aprovação.


Duplicação e extensão da rua Voluntários da Pátria. A obra irá desafogar o trânsito da avenida Farrapos, facilitando o acesso ao centro e viabilizando a obra da Rodovia do Parque (BR 448)


Essa é uma obra importante tanto para a revitalização de toda essa região da cidade, como uma alternativa de acesso à cidade, desafogando a rodovia Castelo Branco. São 3,5 km de extensão, terá implantação de ciclovia e tratamento paisagístico. A questão das desapropriações, que têm sido resolvidas no Judiciário, dificultam o ritmo ideal de execução. Além disso, no trecho 2 foi descoberto um sítio arqueológico e o IPHAN acompanha o processo de resgate dos vestígios desse patrimônio. Temos ainda um imóvel da RFFSA, que depende de liberação da União e o próprio Ministério das Cidades, a quem recorremos para nos ajudar, não está tendo êxito na liberação dessa área; e o Centro Cenotécnico, que depende de liberação do Governo Estadual.




Portais da Cidade. Modelo de transporte que permite acesso mais rápido ao Centro e reduzirá o número de ônibus.


Os Portais da Cidade foi um projeto de 2005, que previa uma linha interligando Zona Norte e Sul. Com a confirmação de Porto Alegre como sede da Copa e o aporte financeiro, o projeto foi qualificado em uma rede de linhas BRTs, incluindo, atualmente, 14 linhas que interligam todas as regiões da cidade. Estamos com obras em andamento nos corredores de ônibus das avenidas João Pessoa, Padre Cacique, Bento Gonçalves, Osvaldo Aranha e Protásio Alves. É um sistema de transporte de alto desempenho e qualidade, que vai utilizar faixas exclusivas, reduzindo em até 30 minutos as viagens, dependendo do trecho, e transportando até 160 passageiros, quando hoje a capacidade é de, no máximo, 85 pessoas. Vai funcionar integrado aos outros modais, como metrô e transporte hidroviário, e possui um sistema inteligente, com bilhetagem eletrônica, monitoramento, controle e informação ao usuário.


Revitalização do Cais do Porto. O trecho que liga a Rodoviária à Usina do Gasômetro receberá investimentos para a construção de prédios comerciais e de estabelecimentos culturais.


A Cais Mauá apresentou nesta semana uma solicitação de licença para evento temporário, somente durante o período da Copa, visando a implantação de área de gastronomia, feira de artesanato e agroindústria.  O processo tramita na Prefeitura Municipal e Iphan pelo fato das instalações serem nos pavilhões A e B e Pórtico, que são tombados pelo patrimônio histórico da União.


Sabemos que há trinta anos os gaúchos esperam pela revitalização do Cais Mauá. Mas é preciso destacar que se trata de um projeto difícil, complexo, que será feito totalmente com recursos da iniciativa privada. Governo do Estado e Prefeitura Municipal trabalham juntos para que aconteça. A área do Cais Mauá pertence ao Estado, que fez a licitação concedendo por um período de 25 anos a exploração comercial à um grupo privado que vai investir 600 milhões de reais. A área não será privada, continuará sendo pública e fiscalizada pelos governos estadual e municipal. Quando pronto, teremos um amplo espaço de lazer e cultural com a bela vista do Guaíba, a disposição dos porto-alegrenses e visitantes.


Construção da Arena do Grêmio. Dentro dos padrões exigidos pela Fifa, a Arena será localizada no entroncamento da BR 290 e BR 448. E Gigante para Sempre. Projeto remodelará a área do estádio Beira-Rio. Além da reforma do estádio, ocorrerá a construção de cobertura, camarotes, centro de convenções, hotel, entre outros.


Um motivo de orgulho para nós, gaúchos, é que Porto Alegre é a única cidade sede da Copa do Mundo que não utilizou recursos públicos na construção e reforma de estádios. Os clubes e a iniciativa privada realizaram essas duas obras que qualificaram os estádios dos nossos times, o Grêmio e o Internacional, garantindo maior conforto e segurança aos torcedores. É a única cidade do Brasil com dois estádios padrão Fifa, aptos a receberem grandes eventos mundiais de futebol. Um legado para gremistas e colorados e para todos os gaúchos.



Rodovia do Parque. Ajudará a desafogar o trânsito da BR 116 e melhorar o fluxo de veículos da região Metropolitana.


Outro investimento do governo federal que melhora as condições de mobilidade na região metropolitana. Está pronta, foi inaugurada e serve como alternativa de acesso à capital.


Construção da 2ª Ponte do Guaíba. Junto A obra permitirá reduzir o trânsito sobre a ponte móvel.


Essa é outra obra muito importante para Porto Alegre e região metropolitana. A presidenta Dilma anunciou o início das obras da nova ponte sobre o Guaíba no fim de março. Quando concluída, deve absorver grande parte do fluxo da ponte móvel e será uma alternativa nos dias de içamento do vão, reduzindo os engarrafamentos.




Metrô de Porto Alegre. A primeira fase do projeto irá ligar a Lomba do Pinheiro com o Centro da cidade em um percurso de via subterrânea.


Nunca existiu um projeto do metrô até a Lomba do Pinheiro. Pelo menos não que tenha partido da Prefeitura de Porto Alegre. A linha 1 do metrô, que liga o Centro Histórico até o Terminal Triângulo (na Zona Norte), já foi confirmada e estamos em fase de análise das Propostas de Manifestação de Interesse (PMI) entregues. O edital de licitação deve ser publicado até o fim do ano. Vale destacar que o metrô nunca foi uma obra que ficaria pronta para a Copa. É complexa, demorada e exige todo um trâmite e um tempo de execução que passam de 5 anos. O metrô vai beneficiar cerca de 325 mil passageiros por dia melhorando as condições de mobilidade, sem contar os benefícios ambientais, de desenvolvimento urbano, valorização da cidade e recuperação de áreas urbanisticamente degradadas.


No futuro, devemos pensar na linha 2, mas ainda sem previsão de datas e recursos. Essa ligaria o centro até o bairro Azenha, num primeiro momento, e até a avenida Antônio de Carvalho numa segunda fase.


Aeroporto Salgado Filho. A ampliação em cerca de 1 quilômetro permitirá aterrissagem e decolagem de aeronaves de maior porte.


Essa é uma obra do governo federal. O que temos conhecimento é que a licitação da ampliação da pista ficou para 2014. Mas estamos tranquilos. A Infraero nos informou que o aeroporto, como está, têm condições de atender a demanda gerada pela Copa de 2014. As obras do terminal de passageiros iniciaram em outubro do ano passado e têm prazo de 2 anos para serem concluídas. Atrasaram, mas devido a uma série de problemas com a empresa que está executando os serviços, mas sabemos que é algo que foge do controle da União. Hoje uma das maiores preocupações é com as condições climáticas, o que também deve ser resolvido em breve com a instalação ILS CAT II, o equipamento que permite pousos e decolagens com neblina, que já foi aprovado Anac.


Linha Especial do Aeromóvel. Interligando o Aeroporto Salgado Filho à Estação da linha 1 do Trensurb.


O aeromóvel qualificou o transporte até o aeroporto. Hoje quem chega a Porto Alegre tem mais uma opção para se deslocar até o centro da cidade ou a região metropolitana. Antes, muitas pessoas não utilizavam o trem porque o percurso do aeroporto até a estação era mais difícil. Um projeto que nos orgulha muito, pois foi totalmente desenvolvido no Brasil e usa tecnologia 100% nacional de baixo impacto ambiental.


Viadutos na Terceira Avenida Perimetral. Construção dos viadutos na rua Anita Garibaldi e na avenida Bento Gonçalves.


As obras da terceira perimetral estão em andamento dentro dos trâmites legais. Tivemos que cumprir algumas exigências ambientais na obra da trincheira da Anita Garibaldi, como transplantes de árvores, e mais algumas desapropriações que tiveram que ser discutidas na justiça. Questão das desapropriações também influenciaram o andamento da trincheira da Cristóvão Colombo. Na Plínio Brasil Milano uma área foi ocupada e também depende de uma decisão do judiciário para a retirada dos invasores do local. No caso da trincheira da Ceará, nossas equipes estão trabalhando somente à noite, e com restrições, devido as operações aeroportuárias e limitações impostas pelo V Comar e Infraero. E por fim, as obras do viaduto da Bento Gonçalves atrasaram devido a liberação de uma área do Exército por onde o projeto avança.


Reforma do Hospital de Pronto Socorro. O projeto irá adequar a estrutura proporcionando maior eficiência ao atendimento do público.


A reforma do HPS é uma obra importantíssima para qualificar o atendimento no maior hospital de pronto socorro do estado, e uma das principais referências no país no atendimento a vítimas de acidentes e violências. É a maior obra de adequação do hospital nos 70 anos de funcionamento. Estamos investindo 57 milhões de reais na reforma total, que será concluída em 2018. Dividimos em 4 etapas porque não podemos parar o atendimento aos pacientes. Estamos na fase de reforma da Emergência (que é a maior obra em tamanho) e o bloco cirúrgico juntamente com a sala de recuperação.


Projeto Integrado Socioambiental (Pisa). A iniciativa prevê a reurbanização da área da foz do arroio Cavalhada e melhorará os índices de saneamento básico.


O Pisa é a maior obra de saneamento da história de Porto Alegre e já foi entregue à população. A inauguração da Estação de Tratamento de Esgoto Serraria, em abril, marcou o início das operações que ampliam a capacidade de tratamento dos esgotos na Capital de 27% para 80%, até 2015. Com a implantação do programa, deixarão de ser despejados no Lago Guaíba 135 mil metros cúbicos de dejetos sem tratamento. É também a maior obra em volume de tratamento financiada pelo PAC no Brasil, um investimento de R$ 672,9 milhões. Estamos avançando em termos de qualidade de vida dos moradores, na recuperação da balneabilidade do Guaíba, na redução dos  custos de tratamento da água que é captada pelo Dmae no Guaíba para distribuição na cidade. A obra beneficia diretamente mais de 700 mil pessoas com a coleta e o tratamento do esgoto nas bacias dos arroios Dilúvio, Cavalhada e do Salso. Indiretamente, todos os moradores de Porto Alegre são beneficiados.



Plano Diretor Cicloviário. As primeiras obras estarão concluídas até o final deste ano. Serão construídos 20 quilômetros de ciclovia até 2014.


Atualmente nós já temos 20km de ciclovias na cidade. Até o final do ano, a expectativa é chegar a 50km. São diversos trechos espalhados pela cidade e vamos continuar, nos próximos anos, investindo em ciclovias e estimulando o uso dessa alternativa de transporte. Sem contar os corredores de ônibus e vias que ficam fechadas para lazer aos domingos. Outra grande aposta que deu certo foi o BikePOA, o sistema de aluguel de bicicletas. Hoje temos mais de 100 mil credenciados com 500 mil viagens realizadas. São 39 estações com 390 bicicletas disponíveis e com novos pontos já em implantação.


A preparação para a Copa passa pela ampliação dos investimentos em três pontos: qualificação profissional, estrutura hoteleira e de gastronomia e atrações culturais. Isto foi feito?


A capacitação de profissionais para atuarem no setor do turismo é outro grande legado da Copa. A Escola Social de Turismo, coordenada pela Secretaria Municipal de Turismo, treina pessoas que atuam direta e indiretamente no setor. Desde 2007, 6.700 trabalhadores passaram pelas palestras e workshops que trabalham a importância de bem receber, bem atender e bem informar o turista e ao mesmo disponibilizam um forte conteúdo com informações sobre atrativos, roteiros turísticos da cidade, opções de lazer. O público é formado principalmente por funcionários de hotéis e restaurantes, taxistas, policiais militares, guardas municipais, comerciários, funcionários públicos municipais, guias de turismo, estudantes em intercâmbio na cidade, frentistas de postos de combustíveis, entre outros.


No âmbito municipal também tivemos um grande investimento do setor de hotelaria. Desde 2009, quando Porto Alegre foi confirmada como cidade sede, até o final do ano passado, o crescimento foi de 20,26%. Tínhamos 6.934 apartamento com 13.868 leitos. Fechamos 2013 com 8.339 apartamentos e 16.678 leitos. Até a Copa, outros dois novos empreendimentos devem ficar prontos, acrescentando mais 440 apartamentos com 1.100 leitos. Serão 3.690 leitos a mais do que tínhamos.


No setor de gastronomia, a emissão de alvarás foi crescendo ano a ano, após o anúncio em 2009. Em 2013 foram emitidas 1158 licenças para bares, cafés, lancherias e restaurantes, em 2010 foram 547 alvarás. Com certeza, uma parcela desses novos negócios foram abertos a partir da oportunidade Copa que fez com que os empreendedores investissem no setor.


Sobre as atividades culturais, Porto Alegre têm diversas opções para os visitantes, entre museus, teatros, festivais, shows, etc. Durante o período de jogos teremos outras duas grandes atrações: o Acampamento Farroupilha especial, nos mesmos moldes do acampamento que acontece anualmente no Parque Harmonia, e a Fan Fest, no Anfiteatro Pôr-do-Sol, um local onde serão exibidos os jogos nos telões, além de shows e atrações artísticas, com espaço para artistas gaúchos e a cultura local.


Em 2009, o senhor era secretário extraordinário da Copa de 2014 e vice-prefeito de Porto Alegre. Na época, afirmou que o presidente Lula havia anunciado a criação de um Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Copa 2014, em que seria disponibilizado orçamento específico às cidades que serão sedes. A previsão da prefeitura era receber no mínimo R$ 3 bilhões de recursos do governo federal para as obras de infraestrutura. Quanto deste dinheiro veio e se o PAC funcionou?


Primeiro temos que deixar bem claro, mais uma vez, que estamos aqui falando de obras de mobilidade. Com exceção das obras do entorno do Beira-Rio, as outras não são necessárias à realização do mundial. Mas, graças à oportunidade Copa, Porto Alegre está recebendo muito mais do que 3 bilhões em recursos do governo federal. Os financiamentos das obras de mobilidade somam 888 milhões de reais. Temos mais a confirmação do repasse de 1,77 bilhão de reais para o metrô de Porto Alegre. As obras no Aeroporto Salgado Filho somam quase 200 milhões de reais. Isso sem contar os investimentos em obras na região metropolitana, como a Rodovia do Parque. Se o PAC funcionou? Quando as obras estiverem prontas teremos a melhor resposta, com uma cidade mais qualificada, desenvolvida e com melhores condições de mobilidade.


O senhor afirmou em 2009, quando da escolha de Porto Alegre, que apenas para um dos projetos, a criação do metrô 1 de Porto Alegre, a expectativa era gastar no mínimo R$ 2,5 bilhões. Sua frase: "Esse é um dos poucos projetos que não depende apenas dos governos estadual e municipal, mas obrigatoriamente da administração federal." O que não deu certo.


Deu certo! A soma de esforços entre as três esferas de governo é justamente o que está viabilizando o projeto do metrô, com custo de 4,84 bilhões de reais. Chegamos a uma equação financeira onde o governo federal entra com 1,77 bilhão, o governo do estado com 1,08 bilhão, o parceiro privado com 1,3 bilhão e a prefeitura com 690 mil reais. No total, o município está investindo 1,385 bilhão, se levarmos em conta as desapropriações e a contraprestação do serviço.


Disse ainda que o primeiro projeto a sair do papel seria a duplicação da avenida Edvaldo Pereira Paiva, a Beira-Rio e que a prefeitura tinha condições de iniciar as obras em julho daquele ano. Porque as obras ainda estão em andamento?


Mesmo com todos os contratempos que tivemos, as obras estão praticamente concluídas e ficarão prontas para a Copa. Tivemos 3 problemas envolvendo as obras do entorno do Beira-Rio: atraso de 6 meses na liberação do financiamento, uma liminar judicial que suspendeu o corte de árvores necessário para a duplicação da Edvaldo Pereira Paiva e a falta de areia. Ainda assim, a prefeitura e a empresa responsável pela obra trabalharam de forma intensa e todas as obras do entorno do estádio da Copa apresentam cronograma de conclusão para maio de 2014, ou seja, este mês.



Faltando menos de um mês para o primeiro jogo da Copa do Mundo em Porto Alegre, o que mais preocupa?


Lidamos com uma cidade viva e nossa experiência com as obras, que atrasaram por diversos motivos que fogem do controle da administração municipal, nos mostra que imprevistos acontecem. O que mais preocupa é surgir algum problema que possa gerar transtornos pontuais. Nada que impeça ou dificulte a realização da Copa na cidade. Por exemplo, o entulho das obras do estádio Beira-Rio que hoje ocupa parte da área onde seria construído um estacionamento. Mas, com certeza, nossas equipes estão preparadas para agir nessas situações e garantir um evento tranquilo e sem maiores problemas.


Como foi a sintonia entre prefeitura, governo Tarso Genro e governo federal?


Foi essa sintonia que permitiu resolvermos grande parte dos problemas que enfrentamos na preparação para a Copa de 2014. Trabalhamos num esforço conjunto para disponibilizar recursos, viabilizar a estrutura necessária e garantir a realização do mundial em Porto Alegre. Um dos grandes exemplos foi o impasse que surgiu quando o Internacional manifestou a inviabilidade de arcar com as estruturas temporárias. Se não fosse essa sintonia, Porto Alegre poderia perder a Copa.


Que fato foi mais desgastante, e aqui poderíamos citar dois, a questão das estruturas temporárias e do entulho no entorno do Beira-Rio.


Com certeza a questão das estruturas temporárias. O que estava em jogo naquele momento era dar garantias à Fifa de que Porto Alegre têm condições de sediar a Copa. Sem esse aparato seria impossível sediar os jogos, porque essas estruturas são necessárias para as ações de segurança, por exemplo, para todo o trabalho da imprensa, etc.



O que foi mais gratificante?


Ver o quanto essa oportunidade Copa do Mundo mexeu com os porto-alegrenses e está nos trazendo avanços em diversos setores. Eu ando pela cidade e observo comerciantes se preparando para receber turistas estrangeiros, prestadores de serviços como taxistas fazendo curso de línguas para se comunicar com os visitantes, enfim, pessoas que querem uma cidade melhor e estão dispostas a trabalhar por isso. E deu tão certo, que, segundo a Fifa, Porto Alegre é a cidade com maior procura pelos ingressos para os jogos, perdendo apenas para o jogo da final. Somos o segundo principal destino dos torcedores europeus. Isso mostra que acertamos!



Valeu a pena brigar para trazer a Copa para Porto Alegre? Motivos.


Eu não tenho dúvidas de que valeu a pena brigar pela Copa! Eu faria tudo de novo! Esse evento vai deixar um grande legado. Estamos qualificando a cidade com uma série de obras, ações e novos programas que não seriam possíveis, ou demorariam mais para se tornarem viáveis, se não fosse a confirmação de Porto Alegre como cidade sede. Um exemplo são as 14 obras de mobilidade, algumas há mais de 30 anos no plano diretor, que vão melhorar o trânsito e a qualidade de vida dos porto-alegrenses. Temos que enxergar a Copa de 2014 como a nossa grande oportunidade de avançar e construir uma cidade melhor.