Criada em 2004, a torcida Guarda Popular abriga hoje cerca de 8 mil pessoas, 90% sócios do Inter. Seu líder Jorge Roberto Gomes Martins, o Hierro, garante não tratar-se de uma organizada. A Guarda Popular ganhou o noticiário no Gre-Nal de domingo, 24, por brigar no estádio Olímpico. Uma briga entre seus integrantes. Hierro aceitou conceder entrevista a este blogueiro. Que durou uma hora.
Briga no Gre-Nal de domingo, Hierro confirma ter atingido de Claiton Figueira de Castro com uma murga (bumbo): "Eles (os irmãos Chistian e Claiton) são adultos, bem mais velhos do que alguns "moleques" do nosso grupo. Peguei o que tinha pela frente para defender os meus. Há briga pela liderança dentro da Guarda Popular. Eu trabalho. Eles não."
Possíveis vantagens obtidas junto a dirigentes do Inter: "Dizem que eu ganhei passagem para Abu Dhabi e dinheiro. Não ganhei nada disto. Nos jogos mais importantes, ganhamos o ônibus. Estou fazendo lobby junto a empresários amigos meus para estar em Abu Dhabi. Mas não vou sozinho. Só irei se puder levar mais uns nove integrantes da Guarda Popular".

Apoio político a Affatato: "Falamos sobre o assunto no nosso site (http://guardapopular.com.br). Assumimos nossa posição em favor de Affatato para presidente do Inter. Assumimos porque temos uma dívida de gratidão e especialmente, de hombridade. Affatato é o homem que, na hora ruim, quando nos olhavam com desconfiança no pátio do Gigante, assumiu uma postura prória em favor da torcida e encarou esse fardo diante de quem suspeitava da gente. Em 2007, quando do episódio da pichação no Beira-Rio, o presidente Vitório Píffero cortou todo tipo de relação com a Guarda Popular, o então vice-presidente Pedro Affatato assumiu as negociações e iniciou o processo de trazer novamente para o clube a maior torcida do SCI.
Drogas na Guarda Popular: "Rola muita droga. Há tráfico de droga. Há droga, bebida de álcool e briga. Não tenho como controlar tudo. Eu só digo para eles que eu não quero isto seja oficial. É muita gente. Eu sou do bem. Eu não consumo droga, mas não tenho como evitar que alguns consumam".
Postura: "Em 2007 houve uma briga com um pessoal do Grêmio. Ia haver derramamento de sangue. Evitei o revide e disse para mim mesmo que era preciso mudar de atitude, ser do bem. Muitos não gostam de mim porque não sou de briga. Quero a paz".Seguranças no Gre-Nal: "Não é segredo para ninguém que desde 2009 eu ando com seguranças. Fui ao Gre-Nal com nove. São policiais e gente treinada para proteger. Recebo muitas ameaças."
Força política: "Não quero ter força política. Não pretendo ser conselheiro. Quer continuar como torcedor".
Ingressos: "Tem gente que acha que estou rico com dinheiro de dirigente do clube. Olha para mim? Li no teu blogue um sujeito pedindo para a Receita Federal abrir minha conta. Pode abrir. Falam muita coisa sem provar. A Guarda Popular tem problemas? Tem. Como qualquer outra torcida".
Torcidas afugentam as pessoas dos estádios? "Isto é uma coisa que me preocupa, a imagem da nossa torcida. Queremos apenas festa, espetáculo, mas aconteceram estas coisas. Tudo porque queriam a
minha liderança."Amizade com os irmãos Christian e Claiton Figueira de Castro: "Não posso dizer que era amigo. Era conhecido. O que á uma amizade? Acho que amigo não era, porque caso contrário não teria acontecido o que aconteceu."
Trabalho: "Fiquei encostado uns quatro ou cinco anos. Estava doente. Estressado. Hoje, trabalho como ajudante de despachante aduaneiro, como autônomo."
Fotos: Cristiano Estrela e Jackson Zanini / CP
