Entrevista com Vitorio Piffero
Este blogueiro entrevistou o ex-presidente do Inter, Vitorio Piffero. Que abriu os números da gestão 2010.
Pessoas ligadas a atual gestão apontam um déficit de R$ 60 milhões em 2010, outras falam em R$ 22 milhões. Qual a verdade?
O déficit foi de R$ 2,6 milhões. Isto ficará demonstrado na publicação do balanço do clube.
Pessoas ligadas a atual gestão apontam um faturamento bem inferior a R$ 200 milhões em 2010. Isto confere?
O faturamento foi de R$ 200,7 milhões. O maior entre todos os clubes brasileiros.
Fosse ainda presidente, permitiria acabar com o Inter B?
Esta é uma decisão de gestão. Lembro que foi no Inter B que surgiram Leandro Damião, Juan, Romário e Oscar, os três últimos campeões na Seleção Brasileira Sub-20. Sem contar outras promessas que ainda não tiveram o merecido destaque.
Quanto dinheiro o Inter B consumia por mês em 2010?
O investimento em toda a base, sem dúvidas a melhor do Brasil já há algum tempo, importava entre R$ 1,1 e 1,2 milhão por mês, equivalendo portanto a um valor aproximado de R$ 14 milhões por ano (7% do faturamento global). O Inter B correspondia a aproximadamente R$ 600 mil por mês, e não como foi divulgado que seria de R$ 1,7 milhão.
Acha que as contas dos dois últimos anos serão aprovadas sem contestação?
As contas de 2009 já foram aprovadas. As de 2010 estão em finalização, bem como sua auditoria. As informações incorretas que atualmente circulam na imprensa, o que é lamentável, podem estar "ajudando" alguns conselheiros a formarem uma opinião errada. Acredito que com a publicação do balanço estas informações serão corrigidas, para então podermos encaminhar a aprovação devida.
Pessoas ligadas à atual gestão fazem um discurso apocalíptico, como se o Inter estivesse muito mal financeiramente. Confere?
Finalizei minha gestão em 3 de janeiro de 2011, quando passei o cargo ao Luigi. Naquele momento, o Inter era considerado modelo de gestão, com um dos maiores faturamentos entre todos os clubes brasileiros, com 106 mil sócios, sexto no mundo, campeão de tudo, bicampeão da Libertadores. Deixei de saldo em caixa na conta das obras mais de R$ 13 milhões e outros tantos milhões a receber. Nas contas do clube entraram de 4 a 7 de janeiro R$ 11,5 milhões. Nas seguintes, foi vendido o Giuliano por 10 milhões de euros (R$ 22 milhões, 100% do Inter). Um clube com este perfil não pode estar mal financeiramente.
Na realidade, foi apresentada na reunião do Conselho, pela gestão, uma necessidade de fluxo de caixa para todo o ano de 2011 de R$ 76 milhões, conforme previsões e levantamentos efetuados, inclusive de pagamento de salários, direito de imagem, água, luz, etc. Isto é responsabilidade da gestão 2011/12. E muda a cada evento. Por exemplo: só com a venda do Giuliano ingressam R$ 22 milhões e deve ser descontados o seu salário, encargos e imagens, baixando esta necessidade do fluxo de caixa em pelo menos R$ 22 milhões. É do conhecimento geral, que, ano a ano, somos obrigados a vender jogadores para suprir o caixa. É desta forma que o Inter vem crescendo desde 2003, quando tinha um faturamento de menos de R$ 30 milhões.
Houve uma visível ruptura entre a gestão passada e a atual, embora o senhor e Luigi sejam do mesmo movimento, o Inter Grande. Qual o motivo?
Como não abri meu voto nas últimas eleições, alguns integrantes do Inter Grande, ao qual pertenço, juntamente com Fernando Carvalho, Luigi, Siegmann, Luís Anápio, Luciano Davi, Gelson Pires, Mussoi, entenderam que eu na realidade estaria apoiando o Affatato, gerando insatisfações. São todos meus amigos, onde incluiria tantos outros que participaram da minha gestão. Ao longo do ano de 2010, com a eleição se aproximando e tendo pela frente um Mundial Fifa, entendi que abrir meu apoio ao Luigi poderia significar uma ruptura na própria gestão, o que sem dúvida prejudicaria nossa participação em Abu Dhabi. Por isso me mantive calado. Ainda hoje sou cobrado no Inter Grande, e mais ainda agora quando defendo publicamente a execução das obras com recursos próprios, sem esta parceria com a AG.
