Carlos Corrêa / Interino
Na quarta-feira, o presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), Francisco Novelletto esteve aqui na redação do Correio do Povo para uma bate-papo. Os principais trechos estão a seguir.
Correio do Povo: Quando, ao final de 2019, você deixar o comando da FGF, terão sido 16 anos no comando da entidade. Lá pelas tantas, não enche o saco?
Francisco Noveletto: Acho que é uma fase da minha vida, jamais tinha passado pela minha cabeça presidir a FGF, mesmo eu que sempre fui ligado ao futebol. O meu grande desejo era vir para uma cidade grande e acompanhar de perto o futebol. Daqui a pouco caiu a FGF no meu colo. Tudo é uma fase, não tenho nada a reclamar. Futebol é muito emotivo, muita paixão, as pessoas se transformam. Mas mesmo assim, talvez durante cinco ou dez minutos me sinto ofendido, mas depois passa. Não tenho mágoa nenhuma.
CP: O que você imagina deixar como legado?
Noveletto: Acho que é deixar o futebol gaúcho onde irei deixar. Por fazer parte de um clube antes, eu sei o que eu ganhava antes da FGF e sei o que estou deixando. Profissionalizamos o futebol. Hoje o futebol gaúcho é respeitado nacionalmente. Por isso que os caras vêm me dizer: “Pô, Noveletto, tu tens que ser o presidente da CBF”. Então acho que o nível que eu vou deixar o futebol gaúcho é o grande legado. E há também a nova sede da Federação. Eu mesmo não acredito que fiz aquilo. E ali não tem dinheiro de clube, não tem dinheiro público, foi trabalho e esforço da nossa administração.
CP: Mas o Gauchão não é deficitário?
Noveletto: Para quem?
CP: No geral, para a Federação, mas principalmente para os clubes do Interior.
Noveletto: É como te falei, joguei Gauchão 15 anos, nunca ganhei um centavo e ainda pagava. Hoje eles ganham R$ 1,3 milhão e não pagam nada, nenhuma despesa. Não pagam os 10% da renda e ainda ganham a arbitragem. Então não é deficitário.
CP: O clube que joga a Libertadores não é prejudicado no Gauchão em função das datas?
Noveletto: Quem faz o calendário não somos nós, recebemos pronto da CBF. Então não existe nenhum jogo com conflito de data. Temos uma cultura aqui de ou bota o time sub-17 ou põe o principal. Na Europa é diferente. Quem não entra em campo, no outro dia está jogando, é o tal do rodízio. E não temos essa cultura. Tudo bem, quem for jogar pela Libertadores, deixa de fora, mas os outros atletas podem jogar. Rio e São Paulo já estão mudando. Aqui não.
CP: Mas não há um limite de inscrições?
Noveletto: Nós ajudamos. Aumentamos em dez. Todo campeonato nacional, por uma orientação da TV e da CBF, o indicado são 28 inscritos. A nossa é 32, e esse ano para ajudar o Grêmio por causa do Mundial aumentamos mais dez até determinada rodada. Então temos a consciência tranquila de que ajudamos.
CP: Você acha que existe alguma possibilidade de que o Grêmio não se classifique entre os oito primeiros?
Noveletto: Cair não existe nenhuma chance. Todos sabem que a Federação tentou ajudar o Grêmio até no Gre-Nal, que seria nesse final de semana, mas o Grêmio viaja na segunda-feira para a Argentina. Então, em comum acordo, pegamos e puxamos para a última rodada. E esse jogo pode valer a classificação. O Grêmio deve classificar e seria um desastre para o campeonato não classificar. Mas pode talvez precisar de um pontinho no Gre-Nal. Então tentamos ajudar adiando o Gre-Nal. Mas ninguém pensou que a equipe de transição do Grêmio fosse ganhar um ponto em 12 e que os titulares fossem perder para o Cruzeiro. Então talvez tenha sido um tiro no pé.
CP: Tenho uma curiosidade. Por mais que a gente tenha informações daqui e dali, não sabemos tudo que acontece nos bastidores do futebol. Minha pergunta é a seguinte: do que acontece, o quanto a gente fica sabendo?
Noveletto: Muito pouco. Muita coisa se resolve no vestiário, na direção. Eu diria que 30% vocês ficam sabendo, 70% não.
CP: Há algum tempo, você não escondia a intenção de concorrer à presidência da CBF. Isso ficou lá atrás?
Noveletto: Se tu me permites, vou fazer um corte. Fui oposição durante três anos e pouco. Faz seis meses fiz uma assembleia com os clubes e expliquei o que acontecia. Temos um dinheiro lá que estamos rasgando, todo mundo usufruindo e nós não, que dá para pagar 50% da arbitragem do Gauchão. E mais, eles (CBF) evoluíram muito, se profissionalizaram. Hoje servem de exemplo para o mundo. Então disse, vocês aceitam me aproximar novamente da CBF? Por unanimidade aceitaram.
CP: Você toparia ser candidato de Situação da CBF?
Noveletto: Estou fechado com o presidente (Marco Polo Del Nero) até sair a decisão da Fifa. Será banido ou não? Condenado ou não? Procuro não me manifestar antes, não vou julgar ele, deixar os caras julgarem. Então digamos que seja banido, aí posso mudar a cabeça e pensar em ser candidato da CBF. Mas prefiro ficar na minha agora.
