Hiltor Mombach

Entrevista sobre a Arena: “Só a bilheteria pode dar R$ 50 milhões até o final do ano”

“O custo de construção em 2010 a 2012 foi de R$ 310 milhões. Trazendo a valor para o presente teríamos hoje R$ 920 milhões”

Gladimir Chiele é conselheiro do Grêmio e advogado. Elaborou a análise crítica do contrato Arena em 2009. Suas previsões se confirmam.
Na gestão Romildo, colaborou no processo no TCE e no acordo judicial em 2019/2020.
“A história deverá cobrar as ações que os gremistas de hoje praticarem”. A frase foi dita por ele em 2009. Nesta entrevista ele analisa a compra da Arena e outras questões importantes.
1) Quanto custou a Arena?
O custo de construção em 2010 a 2012 foi de R$ 310 milhões. Trazendo a valor para o presente teríamos hoje R$ 920 milhões.
2) Qual a fatia da OAS?
A OAS operou desde o início através da superficiária, ou seja, a Arena Porto Alegre. O resultado operacional da Arena deveria cobrir os custos do financiamento, incluindo o valor mensal da locação do anel superior para os sócios do Grêmio. Atualmente são R$ 2,1 milhões mensais mais o resultado da bilheteria.
3) Quem avalia o valor da Arena, que passará a ser ativo do Grêmio?
A avaliação deverá levar em conta as normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) através de um laudo pericial ou um laudo técnico indicando o valor que não deverá superar muito R$ 1 bilhão.
4) Quem tem a obrigação de realizar as obras de entorno do estádio?
Restou decidido na ação civil pública do Ministério Público que as obras do entorno são de responsabilidade da prefeitura. Se a OAS/26 abrir mão da sua parte no terreno do estádio Olímpico em favor da prefeitura, então o município realiza a obra e os custos serão compensados parcialmente ou na integralidade por esta parte da área do Olímpico
5) Nestes 12 anos de gestão da Arena Porto-Alegrense o Grêmio mais perdeu ou ganhou?
O maior lamento foi o Grêmio não ter adquirido a gestão da Arena a partir de 2016, depois da operação Lava Jato, pois os custos de financiamento estavam em R$ 120 milhões, parcelados em 10 anos, e a antecipação da gestão poderia ser negociada naquela época por valores inferiores aos R$ 50 milhões atuais.
Numa perspectiva de comercialização das cadeiras somados à bilheteria, o Grêmio deixou de faturar algo em torno de R$ 200 milhões ano. E veja como foi simples adquirir a gestão da Arena, posição que nós defendíamos desde 2013
6) O preço pago foi caro?
Os R$ 130 milhões, parcelados, são apenas uma parte do conjunto do negócio. Ainda tem a transferência do estádio Olímpico avaliado em R$ 300 milhões, pagamento dos débitos tributários e outras pequenas pendências, mas o resultado financeiro da operação Arena para o Grêmio é que faria e fará toda a diferença. Uma coisa é o estádio sendo administrado por terceiros. A outra completamente distinta é administrado pelo próprio clube. O Grêmio mudará de patamar e haverá um incremento de receitas significativo, chegando perto de 50%.
E mais. Somente com a bilheteria da Arena até o final do ano, tendo casa cheia, multiplica aí uma média de R$ 10 milhões por mês vezes cinco, são 50 milhões.
7) O Grêmio não tinha como comprar a Arena com orçamentos anuais de quase meio bilhão?
Somente a antecipação da receita de televisão feita pela atual administração ficou na casa de R$ 92 milhões. Em vez de comprar jogadores cujo resultado ainda agora é duvidoso, poderia ter sido investido na compra da gestão. E ainda parcelados. Em resumo, vale dizer que deixamos a tartaruga escapar.

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