Por Antônio Alves de Oliveira Neto
"A construção de centros de treinamento de excelência, abrigando campos oficiais, academias, departamentos de assistência social, fisioterapia, medicina, massagem, nutrição, psicologia (dentre outros), alojamentos para categorias de base e profissionais, refeitórios, auditórios, salas de reuniões, salões de jogos, piscinas, etc., mostra-se essencial, hoje em dia, para os clubes de futebol que pretendam integrar o grupo de elite do futebol brasileiro e mundial.
O Internacional obteve um excelente e amplo terreno, em Guaíba, para fazer o seu CT.
Porém, em virtude da crise financeira, além da pandemia, tal processo está moroso, apesar dos bons esforços da atual diretoria. Bem sei que os procedimentos para a realização da obra são complexos e naturalmente demandam tempo. Porém, nada impede que se busquem outras soluções e receitas, ampliando o leque de possibilidades.
Vital que, nos próximos orçamentos do clube, incluam-se grandes desembolsos para a feitura da obra, a médio prazo (cinco anos, aproximadamente), ainda que tirando recursos de outras áreas.
Enquanto isso não ocorre, devem-se fazer promoções e atividades variadas, com criatividade, para começar a obter os valores necessários.
Noticia-se que o clube lançará um fan token nos próximos dias: ótima iniciativa! O Cruzeiro-MG, ora na segunda divisão, recolheu mais de quatro milhões com isso. O Inter, certamente, conseguirá bem mais. Mas, para valer realmente a pena essa sacada da direção, deveria o montante ser direcionado, em grande parte, ao CT.
Outra medida que poderia ser tentada seria uma vaquinha, angariando recursos entre os torcedores, em valores módicos (entre 5 e 20 Reais cada contribuição). Considerado o grande número de torcedores do clube, além de sua fidelidade apaixonada, penso que seria obtido um valor bem razoável, que possibilitaria dar início imediato ao projeto, com a finalização de estudos e a concretização das primeiras obras.
Paralelamente a tal vaquinha, poderia ser estabelecida uma competição: os grandes empresários colorados teriam de desembolsar quantia que, no seu total, fosse superior à arrecadação da vaquinha. Se a torcida arrecadasse dois milhões, os empresários teriam de contribuir, no mínimo, com quantia acima disso. Se quisessem mostrar sua real potência financeira, deveriam doar cinco, dez, vinte ou mais vezes o que os pobres assalariados desembolsassem.
Está mais do que na hora de os endinheirados ajudarem ao Inter. À exceção de raros casos, como Delcir Sonda (além de Elusmar Scheffer, recentemente), não se vêem cidadãos abonados interessados nisso, aqui na província de São Pedro. Bem ao contrário do que ocorre no Palmeiras, Atlético Mineiro, etc.
Tal competição seria oportunidade para, enfim, aparecerem esses mecenas ocultos. Que, assim, poderiam retribuir, ainda que em parte, todas as alegrias que o clube já lhes deu.
Os valores recebidos, tanto da vaquinha quanto da contrapartida empresarial, seriam destinados a um fundo, para uso, exclusivamente, na construção do novo CT.
Outra atitude que deveria ser tomada, de imediato, seria a destinação automática de percentual do valor de cada venda de passe de jogador (digamos, algo como 10 %) para o citado fundo. Agora mesmo, noticia-se iminente saída de Yuri Alberto. Tal negociação, se concretizada, deixaria algo como 90 milhões para o clube. Confirmado isso, nove milhões seriam entregues ao fundo do CT, investimento de retorno certo e permanente, bem melhor que eventuais contratações, sempre de risco.
Só com iniciativas como essas viabilizaremos, autonomamente, o sonho da construção de um dos mais completos centros de treinamento do país, impulsionando nosso clube a patamares ainda mais altos. A alternativa, que não se quer, seria aliar-se a construtoras ou outros conglomerados “mui amigos”, que explorariam o clube por décadas, em troca da obra. "
