Hiltor Mombach

Espanholização

A equipe da área de crédito do Itaú BBA realizou um estudo baseado exclusivamente em informações públicas que levou o nome de “análise econômico-financeira de clubes de futebol brasileiros/balanço de 2012 e uma das conclusões foi esta: “ A espanholização dá sinais de estar a caminho. Basta ver a forma como o futebol europeu e a TV se relacionam, comparando ao que estamos vendo no Brasil.”
Agora, Amir Somoggi, especialista em marketing e gestão sportiva, lança um estudo que leva o nome de “espanholização do futebol brasileiro” onde conclui que o Brasil não corre este risco.
Somoggi “A diferença do primeiro do Brasil para os outros clubes que mais recebem da TV é de 1,4 a duas vezes, enquanto que na Espanha (Barcelona e Real Madrid) varia de 4,8 a 5,2 vezes.”
Ele dá valores. O Barcelona faturou em 2012 R$ 433 milhões/ano com a TV e o Real Madrid R$ 400 milhões. Quem vem depois, o Valencia, recebeu R$ 113 milhões. No mesmo ano o Corinthians recebeu R$ 154 milhões, o São Paulo R$ 112 milhões, o Flamengo R$ 105 milhões e Inter e Grêmio R$ 88 milhões.
Até aqui, Somoggi está coberto de razão. Vamos adiante.
Pela forma de cotas anuais anterior, no tempo do Clube dos 13, as fixas eram de R$ 21 milhões, R$ 18 milhões e R$ 15 milhões. O primeiro grupo, o de R$ 21 milhões, tinha Flamengo, Corinthians, Vasco, Palmeiras e São Paulo; o segundo era formado apenas pelo Santos e o terceiro, o de R$ 15 milhões, por Inter, Grêmio, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Botafogo e Fluminense.
A diferença entre Corinthians e a Dupla ficava em R$ 6 milhões. Hoje, está em R$ 66 milhões.
Somoggi, ainda: “Analisando as receitas dos clubes brasileiros está claro como o mercado brasileiro é diferente do espanhol. O Corinthians, líder em receitas tem uma diferença pequena, em comparação aos outros clubes com maior faturamento. O Flamengo em 2012 ficou em 5º lugar do ranking de receitas no Brasil, atrás de São Paulo, Internacional e Grêmio”.
Posso concluir afirmando que o caminho da espanholização é claro quando se analisa apenas as cotas de TV e que clubes como Grêmio e Inter ainda não se distanciaram do Corinthians, por exemplo, porque conseguem ótimas receitas com sócios e venda de atletas.
O temor é que, com o andar da carruagem, a TV aumente ainda mais a distância das cotas. Sempre em favor do Corinthians e do outro queridinho, o Flamengo.