Hiltor Mombach

Esqueça o Aguirre, Argel

O desempenho do Inter no empate em 1 a 1 contra o Aimoré, no domingo, não foi dos mais empolgantes, mas era preciso levar em conta que se tratava do time reserva. Portanto, era provável que o tom das críticas não fosse muito pesado, como considero que de fato não tenha sido. O que torna, de certa forma, ainda mais incompreensível a postura defensiva como Argel tem se comportado nas entrevistas após os jogos, na maioria das vezes defendendo-se de acusações que, se não é ele a lembrar, ninguém saberia. A obsessiva comparação com o trabalho de Diego Aguirre, seu antecessor, é outro ponto que chama atenção. Argel passa a impressão que nunca é demais lembrar que seus números são melhores que o do uruguaio, e pouco importa que números absolutos no fundo possam esconder muitas coisas. Aguirre caiu, mas basta uma olhada nas redes sociais para perceber que continua sendo uma pessoa querida pelos colorados. E isso, de um jeito ou de outro, parece ainda abalar a confiança do atual treinador, que se sente na obrigação de ocupar tal condição, de preferência sozinho. Ora, isso é ingenuidade, com uma boa pitada de insegurança. Há espaço no coração dos torcedores para bem mais do que um só ídolo. Argel talvez não perceba que não precisa desconstruir Aguirre para ter a confiança da torcida. Para tanto, basta construir um time consistente, o que ainda parece distante. Em parte, é bem verdade, porque a direção demora em dar ao técnico os reforços necessários. Mas, convenhamos que Argel também tem a sua parcela nisso, afinal não chegou anteontem ao Beira-Rio. Quem sabe seja hora de esquecer Aguirre e se focar no time. Do contrário, fica parecendo aquele cara que tem tanto medo que a namorada volte para o seu ex que vai acabar estragando tudo ele mesmo.