Começa neste domingo a Copa do Mundo de 2022. O primeiro jogo será entre Catar x Equador, às 13h (hora de Brasília), no estádio Al Bayt. Momento mais do que apropriado para que a Netflix lançasse o documentário “Esquemas da Fifa”, minissérie de quatro capítulos, cada um de cerca de uma hora.
Um dos capítulos contra a criação da primeira grande agência de marketing esportivo do mundo, criada por Horst Dassler, filho de Adi Dassler, fundador da Adidas. E fundador da International Sport and Leisure (ISL), parceira da Fifa e responsável pela ascensão de João Havelange à presidência da entidade, em 1974.
A ISL tornou a venda de direitos de transmissão e de marketing de eventos esportivos uma mina de ouro. Parte do dinheiro ia para o bolso de Havelange.
Tomada pela corrupção, a ISL quebrou em 2001, deixando um rastro de quebradeiras que se estendeu ao Brasil. O Grêmio foi parceiro da ISL. A agência de marketing investiu milhões no clube gaúcho. O “caso ISL”, como ficou conhecido, tratou do sumiço de três cheques, totalizando 310 mil dólares, enviados pela empresa ISL ao Grêmio em agosto de 2000. O dinheiro não entrou na contabilidade do clube, sendo depositado em contas de doleiros de Brasília e Santa Catarina.
Recentemente, promotores dos Estados Unidos acusaram as candidaturas da Rússia e do Catar de terem subornado dirigentes para vencerem a disputa para sediar as Copas do Mundo de 2018 e 2022, respectivamente. Ao menos cinco dirigentes foram citados por terem recebido dinheiro em troca do voto em uma das candidaturas. O indiciamento é consequência de anos de investigações que começaram em 2015, com o Fifagate.
O documentário ouve dezenas de dirigentes, entre eles o então todo poderoso Joseph Blatter.
Chamada do episódio 1: “Em 2015, 14 executivos da Fifa são presos por suspeita de corrupção. Esse é o estopim para uma enorme investigação sobre como as Copas do Mundo são organizadas”.
Já o episódio 2 conta como “Joseph Blatter tem uma vitória questionável na presidência da Fifa. Surgem rumores sobre Jack Warner quando a África do Sul é escolhida para sediar a Copa de 2010”.
Chamada do capítulo 3: “Depois das vitórias inesperadas de Rússia e Catar para sediar as Copas do Mundo de 2018 e 2022 algumas negociações fraudulentas envolvendo suborno vem à tona”.
E, no último episódio, “Chuck Blazer faz um acordo para não ser preso e Sepp Blatter enfrenta uma conturbada eleição. A Fifa tenta recuperar sua reputação, mas o futuro é incerto”. Charles "Chuck" Blazer, ex-representante da Fifa nos EUA, aparentemente se tornou informante do FBI. Ele confessou ser culpado e já devolveu US$ 1,9 milhão. É figura chave no processo de corrupção.
O ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, admitiria depois ter sido um erro a escolha do Catar como país-sede da Copa do Mundo de 2022. O ex-dirigente, suspenso do futebol, deu entrevista ao jornal suíço Tages-Anzeiger.
"A escolha do Catar foi um erro. Eu era o responsável por isso, como presidente da Fifa. Na época, nós concordamos com o Comitê Executivo que a Rússia deveria receber a Copa de 2018 e os Estados Unidos a de 2022. Seria um gesto de paz entre esses países oponentes politicamente".
O documentário, com depoimentos de agentes do FBI, permite acompanhar em ordem cronológica como a Copa do Mundo foi parar na Rússia em 2018 e, agora, no Catar. Abre com dirigentes da Fifa sendo presos na Suíça após serem acusados por suspeitas de corrupção envolvendo um montante de até US$ 150 milhões.
Também trata do trabalho escravo e de muitas mortes na Copa do Mundo de 2022 e de como as ditaduras se aliam ao esporte. Lembra os Jogos de Berlim e as Copas da Argentina e Rússia. Vladimir Putin é citado várias vezes e aparece ao lado de dirigentes da Fifa.
O documentário cita várias vezes o escocês Andrew Jennings, considerado o repórter que revolucionou o jornalismo esportivo nos últimos 30 anos e que faleceu este ano com 78 anos.
Foi o escocês Andrew Jennings quem divulgou, pela primeira vez, um esquema de tráfico de interesse dentro do Comitê Olímpico Internacional (COI) e na Fifa (Federação Internacional de Futebol), a partir dos anos 90.
Enfim, um documentário imperdível para quem quer conhecer os porões do futebol. Chega na hora certa
"Esquemas da Fifa"
Como a corrupção levou a Copa até a Rússia e ao Catar
