O texto que segue foi escrito vai tempo. Reproduzo porque nesta semana saiu pesquisa da Pluri Consultoria sobre torcidas.
“Acusam-me de bairrismo. Num tempo globalizado, ser bairrista é jurássico, antiquado. Aceito todos os rótulos.
Tenho que rever a frase, colocá-la no plural. Eu tinha certeza de que nós, gaúchos, somos o estado mais bairrista do país. Faltavam-me dados.
No começo de 2008, o Instituto Datafolha realizou pesquisa para saber o time de preferência do brasileiro por estado. No Rio Grande do Sul, deu Grêmio, com 48% da preferência, contra 36% do Inter. Corinthians, Flamengo, Palmeiras, São Paulo e outros menos cotados zeraram aqui.
Nenhum mísero pontinho percentual. É como se não existissem. Nada, nadica de nada, cinco saaras de absolutamente nada.
Na mesma pesquisa, Corinthians, Flamengo, Palmeiras e São Paulo, além de mandarem em seus estados, obtinham ótimos índices de preferência também em Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco...
Em Minas, por exemplo, o Atlético tinha 18% da preferência do torcedor e o Flamengo 9%, com indicativos de que, com o tempo, irá se tornar o mais mineiro dos times cariocas.
Na mesma pesquisa, o Corinthians conquistou 15% da preferência dos torcedores do Paraná.
Agora, um levantamento da Paraná Pesquisas, com 101.981 entrevistas em 68 cidades de todas as regiões, ratificou: a torcida corintiana manda no Paraná, com 12,5% da preferência total. Constrange ver o Atlético Paranaense atrás, com 9,6%, e o Palmeiras (7,6%) à frente do Coritiba (7,5%).
Vejam: estamos imunes à corintianização e à flamenguização que ameaçam dominar outros estados. De cada dez jogos por TV aberta, 11 são do Corinthians e do Flamengo. A Plim-Plim já fez de tudo para nos corintianizar ou flamenguizar. Não aprende que esta terra tem donos.”
Inter e Grêmio estão mal. O Inter foi rebaixado em 2016 e o Grêmio caiu pela terceira vez no ano passado. Perderão torcida?
Num trabalho sobre “futebol e desenvolvimento socioeconômico”, a FGV Projetos, uma unidade de extensão de ensino e pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, apontou certa feita:
“Não se conhecem casos de torcedores que mudam de clube em razão da não conquista de campeonatos ou à relegação a divisões inferiores. Este fato, fidelidade a uma marca no futebol, é de suma importância para o seu marketing. Não há fidelidade a produtos ou serviços em nenhuma outra indústria na proporção que existe no futebol...
O torcedor, com raras exceções, tem por seu clube do coração uma “ideologia” imutável. Ele pode mudar de profissão, de país, até de mulher ou de marido, mas não muda seu time, independentemente, inclusive, da performance técnica.”
Essa terra tem dono
Vejam: estamos imunes à corintianização e à flamenguização que ameaçam dominar outros estados
