Mais de 60 mil pessoas assistiram a inauguração da Arena do Grêmio no dia 8 de dezembro de 2012. No dia 5 de abril de 2014 o Inter promovia a reinauguração do Beira-Rio.
Otimismo de novos tempos, estádios lotados e grandes times bancados pelos sócios. Iria faltar até camarote.
Final de 2013. O Grêmio descobre que não é bem assim.
Muitos camarotes ficaram encalhados e a média de público pagante na Arena estaciona abaixo do esperado, 19.764, a quinta melhor do Brasileiro.
Para agravar a situação, pelo contrato elaborado na gestão Odone o Grêmio pagaria R$ 41,8 milhões em 2013 pela cessão onerosa da utilização dos seus assentos, pela migração dos sócios. Um total de R$ 836 milhões em 20 anos.
Coube a Fábio Koff reduzir este valor para R$ 15 milhões em 2014 a R$ 18 milhões até o final da parceria.
Atento aos fatos do rival, o Inter, que sonhava em aplicar mensalidades altas num Beira-Rio renovado, recuou depois de que uma pesquisa apontou que apenas entre três e seis mil sócios de um total de mais de 100 mil na época tinham condição financeira de pagar mensalidade de R$ 200,00 e adquirir um plano de cadeira numerada.
Um estudo mostrava que no Mineirão e Maracanã os setores centrais apareciam vazios, com os torcedores concentrados atrás das goleiras.
O tempo passou e os dois clubes continuam tentando adaptar as mensalidades ao bolso dos torcedores num tempo de crise financeira, uma das mais terríveis da história brasileira.
Nesta semana o Inter adotou um projeto de 2016 do Movimento Sócio Deliberativo e criou uma modalidade de participação específica para a inclusão dos novos cadastrados com valor de mensalidade de R$ 10,00. Serão dois mil num primeiro momento.
Pela primeira vez em muitos anos o clube pode baixar dos 100 mil sócios.
No ano passado a média de público no Beira-Rio foi de 15.310 pagantes, com média de ocupação de 32%.
Mesmo baixando a expectativa de faturamento com os sócios em R$ 7,8 milhões (R$ 75,8 milhões em 2016 para R$ 68 milhões em 2017) a projeção é de que este número não será alcançado.
Pela última informação oficial, de fevereiro, 83.968 associados estavam em dia.
O Grêmio teve média de 15.829 pagantes em 2016, com ocupação da Arena de 27%.
A mensalidade mais barata está nos R$ 40,00. Na reta final de 2016 o número de sócios cresceu diante da perspectiva, confirmada, da conquista da Copa do Brasil. Encerrou a temporada com quase 20 mil novos sócios. Mas foi começar 2017 para a debandada.
Hoje, são 67 mil pagantes, que deixaram nos cofres mais de R$ 15 milhões nos três primeiros meses.
Para o Grêmio, não é interessante criar planos mais baratos.
A partir de um certo número de sócios, uma quantia vai para a Arena Porto-Alegrense.
De um dirigente gremista: “Hoje o nosso desafio é tirar o torcedor do sofá e levar para a Arena.”
A frase diz tudo: o pay per view está tirando gente dos estádios. Para oferecer mais ao sócio, é necessário mais investimentos em conforto, segurança, qualidade do espetáculo... Com os clubes endividados, isto é impossível.
