Hiltor Mombach

ESTRUTURA

ESTRUTURA

Quando especularam, e vai muito tempo, sobre a realização da Copa do Mundo no Brasil, a primeira coisa que pensei foi: e o deslocamento? Temos estrutura para encarar milhares de turistas-torcedores trocando de cidade depois de cada jogo? O Brasil estava em Johannesburgo. Nós, também. Veio para Porth Elizabeth. Nós também. São 1.060 quilômetros. Avião? Todos lotados. Ônibus? Todos lotados. Alternativa: alugar uma van com motorista. Depois da empreitada contratada fomos informados de que haveriam aviões extras. Não havia como desmarcar. São mais de 14 horas de viagem por estradas inacabadas. Uma vergonha. Um caso de polícia. Postei um vídeo. Esgotados, chegamos ao hotel. Fica na beira da praia. Paisagem lindíssima. No hotel nos informam que aquele não era o nosso hotel. Como não era? Nosso hotel era um outro hotel, filial daquele. Queriam nos mandar para o aeroporto. Longe do mundo. Aquele era o nosso hotel, berrou o Rodrigo Oliveira amparado pelo Rech, que estava amparado por um documento. Como não era se o documento provava que era? Excuse, mistakes happen! I am sorry! Desculpas! Não aceitávamos. Desembarcamos as malas. Colocamos as bagagens todas na recepção. Lembra aquela música "daqui não saio, daqui ninguém me tira"? É isto ai. A recepcionista mantinha a educação. E o discurso: "Excuse, mistakes happen! I am sorry!". Estava ali, no documento: aquele era o hotel. Uma hora de embate e...um quarto ela liberava. Três, não. Mais meia hora e estávamos todos hospedados. Durante a peleia, dezenas de turistas-torcedores entravam em busca de um lugar para dormir. E saiam. Não havia. Como não havia? A cidade não estava preparada para a Copa? Enfeitada, está; preparada, não. Tente imaginar a seguinte situação. A Argentina encara um rival qualquer em Porto Alegre numa sexta-feira. Passa. Três dias depois joga em Natal. Não teremos mil, cinco mil argentinos. Poderemos ter 30, 40 mil. Nem falo dos torcedores da outra seleção. Trem bala? No Japão, havia. Na França e Alemanha usávamos o TGV, trem de grande velocidade. A Alemanha possuim 800Km de uma ponta a outra. É complicado. O Brasil terá que resolver este problema ou vai pagar mico. Como os aul-africanos estão pagando.