Hiltor Mombach

Eu na China

Estive na China em 2008 para a cobertura dos Jogos Olímpicos. Tudo impressiona por lá. Fui ao mercado noturno de Donghuamen. Lá você pode comer espetinhos de escorpiões, gafanhotos, cavalos-marinhos, bichos de seda, pele de cobra, kebabs de pombo (no qual o pássaro é servido inteiro, com ossos e patas), baratas, larvas....
Vi brasileiros corajosos provando as iguarias. Não fiquei tentado. Sem querer eu havia comido carne de cachorro na Coreia do Sul e tive uma brutal infecção intestinal. Não iria arriscar comendo um escorpião ou um espetinho de baratas. O que me impressionava é que as pessoas não achavam nojento aquilo tudo. Questão de costumes.
Estive em vários lugares e não deixei de visitar o Silk Market (Mercado das Sedas). Escrevi sobre o assunto. Vale relembrar. Compra-se de tudo num complexo de seis andares plantado no centro da imensa cidade. Ali, o negócio é pechinchar. São centenas de pequenas lojinhas, separadas por acanhadas divisórias, algumas por uma simples cortina, apertadas em corredores estreitos, por onde o turista, ao passar, é literalmente agarrado pelos vendedores, que puxam o sujeito para dentro de um minúsculo quadrado e, ali, exercem a arte da venda a qualquer peço. Na primeira vez, leva-se um susto. Depois, fica divertido.
Todos os vendedores (todos) estão armados com uma calculadora. Das grandes. Você olha para uma camisa, por exemplo, e pede o preço. Começa a batalha.
_Quanto custa esta camisa?
_ Make your price (faça o seu preço).
_Não, eu não vou fazer o preço. Qual o preço?
_Para o senhor, que é bonito (todos são bonitos) e deve ter vindo de longe, faço por R$ 200,00.
_Duzentos? Por uma camisa?
_OK. Make your price.
_Vamos ver…R$ 20,00… por quatro camisas.
_You’re crazy. You are a very bad man. (Você está louco. Você é um homem muito mau.)
Nesta hora é preciso ter calma e ser seguro.
_Vinte por quatro camisas;
A vendedora te fulmina com um olhar de ódio, ameaça quebrar a calculadora, diz que do país que você veio só vem gente ruim, muito ruim. Mas retoma o negócio.
_ OK. You’re kidding. Do your best price. (Você está brincando. Faça o seu melhor preço).
_Vinte. Vinte é o meu melhor preço.
Este é o momento mais importante da negociação. Você dá o valor definitivo e dá as costas, como quem vai sair. Não dá outra. A vendedora te segura pelo braço, te fulmina com um olhar raivoso e dispara.
_”OK, OK, pessoa ruim. Quatro por 20,00.