Hiltor Mombach

Eu nas arábias

Eu nas arábias

Cresci ouvindo a mesma história: os norte-americanos achavam que o Brasil era uma imensa floresta onde só viviam índios e havia uma única cidade, Rio de Janeiro. Se não é isto, é mais ou menos assim. Imaginava que o escritor Edgar Rice Burroughs tivesse criado o personagem Tarzam depois de uma visita ao país. Ele que nunca visitou a África. Se isto é verdade, ou seja, se os norte-americanos imaginavam isto mesmo, eu não sei. Sei que comprei como fato verdadeiro.
Também cresci ouvindo que em alguns países árabes há leis que mandam cortar membros do corpo conforme o delito. Que fazem valer o código de Hamurabi e que aplicam com rigor ainda maior a lei de Talião: em vez de ollho por olho, dente por dente, é roubo por vida. Não sei se em Abu Dhabi existe a tal da lei que manda cortar o braço dos ladrões. Se existe, não deve ser cumprida, já que os ladrões não aparecem.
Crescemos ouvindo histórias que vão povoando a nossa imaginação. Foi nisto que pensei ao sair de um luxuoso supermercado em Abu Dabhi onde fora comprar equipamentos para o meu laptop e quando, na saída, apitou um dispositivo de segurança que atraiu um guarda. Eu estava com a minha credencial da Fifa e ele ficou naquela cara-crachá, cara-crachá, cara-crachá e mandou que entregasse a sacola. Com a nota. Foi o que eu fiz.
 Conferiu a tomada com o valor da tomada, com o código da tomada, voltou a conferir a tomada, o valor, o código, mais uma vez olhou para minha cara, para a minha credencial e voltou a buscar, na sacola, outro equipamento para conferir código, preço e nota fiscal. Isso durou 5min.
Durante este tempo meu pensamento voltou-se para as histórias: e se um código daqueles não batesse com a nota, como seria? Uma tomada pelo dedo minguinho? Um adaptador pelo dedão?