Hiltor Mombach

EU SÓ PEÇO AO GRÊMIO UM POUCO DE MALANDRAGEM

EU SÓ PEÇO AO GRÊMIO UM POUCO DE MALANDRAGEM

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Embora considere natural e até ache que o mesmo seria feito como forma de mobilizar a audiência gremista caso nós tivéssemos em uma circunstância bem melhor, acho importante observar com atenção determinados tratamentos que a mídia hegemônica dá aos grandes clubes de Porto Alegre.

Hoje, foi publicado uma galeria de fotos que não pára de crescer, que registra o apoio de colorados ao time na semifinal da Libertadores contra o São Paulo (veja aqui).

Pergunto: se as redes sociais mais perenes da internet já existem no Brasil desde 2004 (Orkut, YouTube, Flickr e, mais recentemente, Facebook), por que diabos o Grêmio disputou a final da Libertadores em 2007 e o mesmo tratamento não nos foi dado pelo Grupo RBS?!


Respondo a essa pergunta retórica evitando simplismos: em primeiro lugar, não se pode afirmar que a RBS seja "colorada" ou que a maioria de seus funcionários seja colorada e puxe a sardinha para o assado do Tradicional Adversário. Afinal de contas, a família Sirotsky é predominantemente gremista, já gastou bastante dinheiro mandando imprimir e distribuir bandeirinhas de plástico em nossas principais decisões em casa e já cansou de fretar voos para torcedores ilustres, sendo a viagem mais célebre a do nosso Bi da Libertadores.

Em segundo lugar, não posso crer que a ideia de mobilizar a torcida do nosso T.A. tenha surgido há pouco tempo. A grande verdade é que eles investem muito mais em marketing e em publicidade, além de um lobby muito bem articulado junto à imprensa em geral pelo seu ex-presidente e atual diretor de futebol Fernando Carvalho. Cito isso não como uma atitude ilegal ou antiética mas, sim, como um exemplo de esperteza, de astúcia, de agilidade, de perspicácia e, acima de tudo, de antecipação de problemas, a fim de minimizá-los ao máximo.

Muito por causa da ausência de um conselheiro especialista nessa importante área dentro do Conselho de Administração e também em função da indisponibilidade de uns e da omissão de outros especialistas já presentes no Conselho Deliberativo, nossos departamentos de Marketing e de Comunicação não criam estratégias e não possuem domínio nem prática de táticas de guerrilha midiática.


Futebol também se ganha fora de campo e a torcida precisa ser mobilizada de todas as formas, utilizando-se de todos os canais possíveis. Esse caso prova que não é a quantidade de dinheiro mas, sim, a de contatos influentes o que realmente importa.


Cito como exemplo um homem com mais de 30 anos de Grêmio que é uma pessoa agradabilíssima e possui disponibilidade de atuar pelo clube (como de fato o faz), apesar de estar no lugar errado e na hora errada (isto é, no Marketing): o nosso glorioso Cesar Pacheco: estamos na iminência de termos como a derradeira possibilidade de obtermos um único título relevante na gestão Duda Kroeff - a conquista da Copa Sul-Americana. Este senhor já viajou pelo mundo inteiro e foi o nosso diretor de futebol campeão de quase tudo na gestão Koff. Ele conhece dirigentes de clubes, de federações e patrocinadores. A sua presença nessa hora e nessa função de relações institucionais é fundamental para que o clube obtenha o máximo de garantias possíveis de que não será logrado nem tratado com desrespeito por onde quer que passe.

E sabemos que isso define títulos. Às vezes até mais do que dentro de campo...

Hélio Sassen Paz