Carlos Corrêa / Interino
Antes de mais nada, quero começar esse texto lembrando uma informação: Pelé iniciou a carreira em 1956, no Santos, e a encerrou em 1977, no New York Cosmos. Durante todos esse tempo, a Bola de Ouro distribuiu prêmios anualmente, mas a eleição era restrita a europeus. Assim, o prêmio de melhor jogador do mundo nunca parou nas mãos do melhor jogador do mundo de todos os tempos. Nem mesmo em 1962/63, quando o Santos foi bicampeão do Mundo, nem em 1970, quando comandou o Tri da Seleção no México. Maradona foi outro que não ganhou na época. Em 1986, o argentino só faltou fazer chover na Copa do Mundo. Mas quem venceu a eleição da France Football naquele ano foi o russo Igor Belanov.
Tanto o brasileiro como o argentino receberam a premiação muitos anos depois. Em 2015, a France Football resolveu fazer um mea culpa e distribuiu prêmios honorários para Pelé, que levou sete, Maradona (dois), Garrincha, Mario Kempes e Romário. Isso já dá uma noção da premiação que tanto ficou em evidência, ao preterir Vinicius Júnior e optar por escolher o espanhol Rodri como o melhor jogador em atividade na temporada.
Dito tudo isso, tenho uma opinião que talvez seja impopular para o momento. Votasse eu nesta eleição, e meu voto seria para o atacante brasileiro. No entanto, não acho que seja uma escolha sem qualquer margem para contestação. Não vejo Vini Jr. na condição de um jogador que, incontestavelmente, foi melhor que os demais. Não acho absurda a eleição de Rodri. Não acharia se o escolhido fosse Bellingham. Isso para ficar apenas nos favoritos. Não foi uma temporada em que alguém sobrou.
Nos acostumamos mal com tanto tempo de hegemonia de Cristiano Ronaldo e Messi. Quanto às acusações de racismo, o tema é bem mais complexo e não cabe apenas nas caixinhas “sim” ou “não”. No entanto, seria ingenuidade acreditar que parte dos eleitores da premiação não se mostra incomodada com a incessante luta antirracismo de Vini Jr. Bem, azar deles.
