Hiltor Mombach

Exclusivo! Leia capítulo do livro de Fernando Carvalho

Exclusivo! Leia capítulo do livro de Fernando Carvalho

Fernando Carvalho lança nesta terça-feira o livro de "De Belém a Yokohama". Com exclusividade, um dos capítulos, o que trata sobre Fernandão.

A CONTRATAÇÃO DE FERNANDÃO

Faço um novo recuo na história para relatar um dos episódios marcantes na trajetória recente do Inter e certamente na minha história como dirigente. Esta pequena história poderia não significar nada, dependendo do futuro; mas o futuro provou que ali acontecia um desses encontros que marcam profundamente. Estou me referindo à contratação do Fernandão, que viria a ser, como todos sabem, o capitão da Libertadores e do Mundial, em 2006, vindo a constituir-se como um dos maiores jogadores do Inter em todos os tempos.

Quando eu assumi o Departamento Amador, em 1996, tinha já em mente organizar e planejar as coisas ligadas ao futebol, com visão a longo prazo. Queria que o Inter voltasse a ser o “celeiro de ases” de que fala o nosso hino; queria que as coisas tivessem início, meio e fim. Minha ideia era deixar de depender do craque eventual, daquele que pode aparecer mas pode nunca existir. Um clube bem organizado depende de pesquisa, do trabalho de olheiros, de uma sólida organização de profissionais que saibam preparar os atletas dentro do clube. Além disso, naquele momento nós estabelecemos alguns padrões de jogadores, tipos de atletas que nos interessariam, conforme as posições em campo.

Naquela conjuntura conseguimos já com o material humano encontrado no Inter proporcionar destaque a alguns jovens, tanto que foram convocados para seleções nacionais de base. Dois deles, o João Gabriel e o Odair, um goleiro e outro volante, foram para a seleção e lá eles conviveram com Fernandão, com Álvaro, com Alex, com Adriano Gabiru. Quando eles chegaram de uma excursão à Europa, conversei com nossos jogadores. Eles já sabiam da minha intenção de contar com um jogador de área, cabeceador, modelo Jardel — este era um dos nossos “padrões” —, me falaram de um jogador do Goiás, o Fernandão. Jogador de grande qualidade, um sujeito fora de série, inteligente, com grande liderança. “Tenta contratar que vai nos ajudar muito”, me disse o Odair, que era um dos líderes do nosso elenco; e estavam falando ainda dos juniores, claro.

Fiz contato com um empresário de Goiás que eu conhecia e a resposta do clube foi uma negativa sólida, peremptória. Eles também tinham uma avaliação muito positiva do jogador e mal esperavam pela hora de ele subir para compor o time principal. Não houve caminho de negociação naquele momento. Eu nem o tinha visto jogar ainda, mas logo veria, porque assim que ele subiu o Brasil todo pôde ver que ele realmente tinha as qualidades que o consagrariam, mesmo jogando na meia, não de centroavante. Os comentários logo apontaram que ali estava uma grande promessa, aquela coisa toda. Até que, de repente, apareceu a notícia de que o Fernandão tinha sido vendido, ia jogar na Europa.

Tempos depois voltei ao Inter, para a presidência. Naturalmente continuava a monitorar os jogadores que tinham potencial de interesse para o Inter. Mas do Fernandão propriamente não tive notícias sobre seu desempenho, se estava bem ou mal; só sabia que estava no Olympique, de Marselha. Até que em 2003 contratamos o Marabá, que tinha jogado com o Fernandão tempos antes. Conversei com ele, como faço com todos os jogadores, perguntando sobre isso e aquilo, e o Marabá me contou da amizade que tinha com o nosso futuro capitão. Nada além disso.

Até que um dia, navegando na internet, li uma notícia que o Fernandão estava rescindindo seu contrato com o Olympique, tendo jogado já no Toulouse, e que estava querendo retornar ao Brasil. Aí perguntei ao Marabá se ele tinha o telefone do Fernandão, para um contato. Acabei usando o procurador do Marabá, Vagner Cruz, de Belo Horizonte, para fazer a ponte: pedi ao Vagner que fizesse um primeiro contato com o atleta, para saber de sua disposição de vir para o Inter. E ele fez, profissional dedicado que é; ficamos então sabendo que era preciso pagar uma quantia ao Olympique, cerca de um milhão de euros, para liberar o atleta. Um milhão de euros é claro que o Inter não tinha, naquela situação. Mas o primeiro passo, insistiu o Vagner, é acertar com o jogador.

Clique aqui e leia a continuação do capítulo