Olá Hiltor:
Permita-me discordar – pelo menos uma vez... – de tua opinião a respeito dos pontos corridos no
Brasileirão. Em primeiro lugar, com esse sistema universal, é a recompensa integral para quem soma mais, jogando contra todos, indistintamente.
Embora na maioria dos casos, nos últimos anos, os paulistas e os cariocas tenham ficado
com o título, reparemos que, nesta temporada, dos quatro primeiros, um é
mineiro, outro gaúcho e um paranaense. Então, dá para ser campeão sendo fora do
eixo Rio-São Paulo. É só mostrar serviço. Por outro lado, na modalidade de
“mata-matas”, às vezes, os piores conseguem passar e deixar quem teve melhor
índice técnico para trás – o que constitui uma injustiça oceânica. E o mais
desalentador, para não dizer grave: Romário dizer que essa fórmula não se
adapta ao futebol brasileiro é uma falácia. É a valorização da mediocridade.
Temos que entender que os tempos mudaram e hoje em dia lutar por boas
colocações significa obter vagas para importantes e rentáveis competições
internacionais. Não só o título máximo serve ou importa. Se fosse assim,
campeonatos como o espanhol, o italiano, o inglês e o português teriam que se
reformular completamente porque, por lá, só existem, ano após ano, numa rotina
enfadonha, quatro ou cinco candidatos ao cetro e deu prá bola.
Na Espanha, aliás, só dois com raríssimas exceções. Em Portugal, três, com o Sporting em
baixa há horas e o Porto e o Benfica se alternando. E três ou quatro – não mais
– na Inglaterra e na Itália. Ou seja: os mesmos de sempre. Nem por isso, os
estádios deixam de ter lotação quase esgotada ou a garantia da presença de
público expressivo. No Brasil, sempre se quer dar um “jeitinho” de favorecer
esse ou aquele clube que nunca chega a lugar nenhum, apesar de sua tradição.
Por que o Atlético Mineiro conseguiu levantar a “Libertadores” e o Cruzeiro já
está com a mão na taça? O Internacional que entrará 2014 com TRINTA E CINCO
ANOS sem ser campeão nacional e o Grêmio a caminho dos quase VINTE devem botar
a mão na consciência e se perguntar por que não estão conseguindo, se até o
Atlético Paranaense abraçou o seu. Ao se lutar contra os pontos corridos não se
está levando em conta o prêmio ao legítimo vencedor. Ao se desejar os
mata-matas, estaremos, sim, se premiando a incompetência. O que representa
louvar o aluno medíocre ou menos capacitado, em detrimento dos que estudaram a lição e fizeram o tema
corretamente. A tal de lição de casa. Pense bem, para não verificar se é isso
mesmo.
Com minha estima, respeitando tua opinião, mas pedindo que a analises com a lucidez que sempre
tem te caracterizado./
Do Chico Michielin
