Siga o Correio do Povo no Google!E fique um passo à frente das principais notícias.
Felipão não chamou Didi. O Brasil está carente de Didi. Mais grave: não temos um Didi. Nem aqui, nem no exterior.Foi no programa “Ganhando o Jogo” da Rádio Guaíba de ontem que eu lembrei da Copa de 1958. Você dirá, a Copa de Pelé e Garrincha, do gol antológico de Pelé e dos dribles de Garrincha, que Dino Sani chamou certa vez de palhaço do futebol. Ninguém divertia tanto o público como Garrincha. Sim, da Copa de Pelé e de Garrincha, mas, acima de tudo, da Copa de Didi. O Brasil não tem Mr. Football, o senhor futebol. Neymar é craque, mas carece de liderança. Didi, o senhor futebol, era um líder. Nossa primeira Copa do Mundo foi marcada por um lance emblemático. Ganhamos dos anfitriões suecos na final num lance genial de Didi. Não com os pés, com as mãos. Incrível! Eram 4min iniciais quando a síndrome do coitadismo, ou do vira-lata, abateu-se sobre os brasileiros: ainda estava chumbada na memória o fracasso do Maracanã oito anos antes. Aos 4min a Suécia abria o placar. Até ali o Brasil não havia corrido atrás do placar.Didi buscou a bola no fundo das redes, colocou-a quase sobre o peito, e caminhou lentamente para o circulo central. Diante do desespero de Zagallo, que pedia pressa, afinal o resultado era desfavorável, Didi disparou: “Nosso time continua sendo melhor que o deles. Fica tranquilo que a gente já vira esse jogo’. Viramos. Quando não se tem um timaço, como o de 1970, por exemplo, precisa-se de um Didi. Pode ser que, com o andar da carruagem, o Brasil descubra um Didi entre os 23 convocados por Felipão. Foi no programa “Ganhando o Jogo” da Rádio Guaíba de ontem que eu lembrei da Copa de 1958. Perguntei aos companheiros de bancada se Felipão tinha um Didi no grupo. Não. Perguntei quem poderia vir a ser. Ouvi, timidamente, o nome de Thiago Silva. Que seja ele, Thiago Silva, o nosso Thiago Didi Silva.