Hiltor Mombach

FALTOU AVISAR O SÓCIO

FALTOU AVISAR O SÓCIO

Vai algum tempo, publiquei aqui o seguinte.

"E-mail enviado aos conselheiros do Juventude em 30 de abril: ’’Prezado conselheiro. Nesta manhã, alguns atletas das categorias de base foram surpreendidos pelo clima de nossa cidade. O clube já está providenciando um blusão de malha para cada um dos atletas. Ação que será possível realizar, pois contamos com apoio de duas empresas. Linhas Círculo, com o fornecimento das linhas, e a Malharia Singles, com a confecção das peças. Como só será possível fazer esta entrega na metade do mês de maio, estamos solicitando, mais uma vez, o seu apoio. Caso possa nos auxiliar com a doação de agasalhos masculinos e ou de cobertores, os mesmos podem ser entregues no Departamento de Futebol. Agradecemos a atenção.’’"

Soube, agora, que tal publicação provocou indignação e foi muito comentada numa reunião do Conselho. Indignação pelo constrangimento. Como se só os conselheiros do clube soubessem que o time caxiense, que durante 13 anos esteve na Série A do Brasileiro, hoje está na C; que a sede campestre foi vendida por R$ 50 milhões e hoje só resta a metade do dinheiro, pois a outra metade serviu para quitar dívidas e que o time levou, nos últimos anos, goleadas históricas.

O único equívoco aqui foi tal e-mail não ter sido remetido para todos os sócios. Há tempos, o Juventude não consegue mais mascarar a crise. Lembro aqui um episódio da segunda gestão de Fábio Koff como presidente do Grêmio. Numa época em que o clube se envergonhava cada vez que a imprensa falava em salários atrasados, Koff usou a imprensa para dizer que a situação não era bem assim, era pior: não havia dinheiro para pagar a luz e, se o torcedor pretendesse sonhar com a montagem de uma equipe decente, deveria abrir a guaiaca. Era isso ou o fim.

Koff não usou de meias palavras. Foi direto no rim. Num primeiro momento, os cardeais gremistas foram tomados pelo rubor, afinal quebrara-se a regra da famigerada economia interna. Passado o momento do espanto, todos se deram conta de que, só com ajuda, o clube sairia do atoleiro. Aos poucos, as coisas foram melhorando.

O Juventude precisa tratar este seu momento, que é delicado, com transparência. O torcedor precisa saber o que está acontecendo, como um clube que há pouco orgulhava o RS como terceira força na Série A despencou até este abismo. Quem enviou tal e-mail prestou um serviço inestimável à instituição. O tempo se encarregará de provar isto.