Hiltor Mombach

Fama de violento

Corria a década de 90, o Grêmio papava tudo e um jornal do centro do país  rotulou o time gaúcho como o mais violento do Brasil.
Usou como gancho uma  estatística que hoje seria desmascarada na hora pelas redes sociais. Para o desavisado, o time mais violento só podia mesmo ser de um estado separatista.
A fama pegou e a partir daí um suspiro de Dinho virava vendaval.
O centro do país sempre deu o futebol gaúcho como violento.
Os cariocas suspeitam que seus times conquistam taças sambando e os paulistas por serem naturalmente superiores.
Todo mundo dá e leva porrada em futebol, mas só a gauchada leva a fama.Bairrista declarado, afirmo que parte do país não nos engole.
Como é que pode um estado que despenca do mapa ter dois títulos mundiais, quatro Libertadores, 10 nacionais e tantos outros internacionais?
Para irritação maior, há um entra e sai de técnicos gaúchos na Seleção: Dunga, Mano, Felipão e até os quero-queros de Carlos Barbosa sabem que a vez de Tite chegará.
Com a sutileza de um elefante caminhando entre cristais, o versado Luís César Souto de Moura saiu-se com esta na quinta-feira:
“No fim do primeiro tempo, eram 15 faltas do Botafogo e cinco do Inter. Disse para o Dunga que tem que mandar bater. Lamentavelmente, tem que mandar bater.”
Quando o Brasil parecia ter nos esquecido um pouco, Souto de Moura bota lenha na fogueira e puxa o pino da granada que vai estourar em Dunga, que como se sabe não carrega fama de ter sido delicado como volante e é pavio curto como treinador.
Na primeira chegada forte de um jogador do Inter, dirão que Dunga está cumprindo ordens do doutor.
Até Dunga explicar que focinho de porco não é tomada a Inês estará morta e o bochincho armado.Encerro com mais um clichê, aqui adaptado: a palavra nem sempre é prata, mas o silêncio muitas vezes é ouro