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Com a sensibilidade que lhe é peculiar Felipão largou esta durante a sua apresentação no seu retorno como técnico da Seleção: “Se não tiver pressão, vai trabalhar no Banco do Brasil, senta no escritório e não faz nada”. Entre as placas dos patrocinadores do Brasil na coletiva, uma do concorrente, o Itaú. O Felipão que jogou no meu Guarani e se hospedava no hotel do meu querido pai, o hotel Garibaldi, conhecia o Brasil, não do banco, mas o Brasil do feijão com arroz, dos descamisados, desta gente sofrida que mata um leão todo dia na luta pela sobrevivência. Este Felipão não conhece mais o Brasil. Vive num outro país, no país das maravilhas que paga salários de R$ 1 milhão por mês, onde treinador que ajudar a rebaixar um time recebe rescisão milionária, onde não há desemprego, mas rodízio entre nababos: quando não se está num grande clube, o emprego é na Seleção. Felipão não conhece o Brasil dos bancários, que convive diariamente com o assédio, a pressão desumana por resultados, a concorrência... Um Brasil corajoso que dá a cara para bater e não é em entrevista coletiva cercada por seguranças, mas atrás de um caixa, respondendo desaforos que os patrões deveriam ouvir. Não há um bancário neste Brasil que não gostaria de treinar o Brasil de Felipão. Duvido, no entanto, que Felipão trocaria o seu Brasil por este outro Brasil, o do bancários.