Hiltor Mombach

Felipão, uma lenda

Amigos, eis que leio um artigo inusitado. O autor elogia Felipão. Como todos sabem, grande parte da chamada crônica esportiva verde-amarela não gosta do veterano treinador..

A migos, eis que leio um artigo inusitado. O autor elogia Felipão. Como todos sabem, grande parte da chamada crônica esportiva verde-amarela não gosta do veterano treinador.
Rodolfo Rodrigues em seu texto para o UOL, escreve
“Histórico! Felipão é uma lenda na história da Libertadores. Aos 73 anos, o treinador desbancou o bicampeão Palmeiras, em pleno Allianz Parque, e levou o Athletico Paranaense à final da Copa Libertadores após sair perdendo por 2 x 0 nesta terça-feira (6). Campeão com o Grêmio em 1995 e com o próprio Palmeiras em 1999 e vice em 2000, Felipão garantiu sua passagem para uma final de Libertadores pela 4ª vez na história para se tornar o técnico brasileiro com mais finais na história do torneio”.
Estou obrigado a transcrever uma coluna antiga. Lá vai.,
O genial Nelson Rodrigues abre assim uma das suas crônicas:
"Se e perguntassem qual a mais feia impostura da nossa época, eu daria a seguinte e fulminante resposta: — é a cínica promoção que se faz do jovem.  Não há mais, como no passado, o conflito das gerações. Até os velhinhos nostálgicos, espectrais, da porta da Colombo, adulam a juventude. E, ainda ontem, um rapaz da PUC bate o telefone para mim. Atendo e sou interpelado: 
— “O senhor é contra o jovem?”. Ao ouvir falar em “o jovem”, respondi, com a mais singela e casta boa-fé: — “Nem conheço”. Realmente, não conheço “o jovem”, como não conheço “o artista”, como não conheço “o judeu”. 
Lendo Tostão, na Folha, me deparo com este texto: "No fim de semana assisti a várias partidas. O Athletico, com Felipão, e o Inter, com Mano Menezes, dois treinadores que já foram rotulados de ultrapassados, não muito bem no Brasileirão. As Séries A e B mostram que treinador bom não tem nacionalidade nem idade".
Não vai muito completou 20 anos do pentacampeonato mundial.
Este colunista estava em Yokohama. O título tem nome e sobrenome: Luiz Felipe Scolari. Alguém dirá que ele comandava um timaço do meio para frente. A Seleção de 86 era ótima e não deu caneco. Felipão afrontou o país e peitou a CBF ao não levar Romário para aquela Copa. Escanteou também Djalminha.
Não voltasse campeão e seria expatriado. Voltou com a taça e não cometeu a frase de Zagallo: "Vocês vão ter que me engolir".
A verdade verdadeira é que o brasileiro jamais digeriu Felipão, flor de rusticidade. Para o torcedor brasileiro, Felipão está ultrapassado desde guri, dos tempos em que, zagueiro, desfilava um futebol ausente de qualquer refinamento no estádio Alcides Santarosa, na minha querida Garibaldi.  Os títulos deste passo-fundense não caberiam nesta coluna. O rótulo de ultrapassado vem acompanhado de uma inveja mortal. Numa frase feita, diria que estamos diante do treinador veteranos mais moderno do país.”