Hiltor Mombach

Fernando Carvalho: Jantar agradável com Abel e aposta sobre futuros craques colorados

Fernando Carvalho: Jantar agradável com Abel e aposta sobre futuros craques colorados



Após o jogo em que o Mazembe se classificou para enfrentar o Inter no próximo dia 14, chegando ao hotel, Rodrigo Ernesto, que trabalha na nossa logística, por sinal de forma brilhante, passou-me seu telefone com Abel Braga na linha. Nosso ex-treinador disse-me que estava jantando no restaurante Iate Clube, especializado em frutos do mar, no Hotel Intercontinental, de Abu Dhabi, e convidou a mim e aos meus filhos, Samantha e Martin, para acompanhá-lo.

Imediatamente, juntamente ao Cuca Lima, José Granja, Giscard Salton e o próprio Rodrigo Ernesto, nos dirigimos ao restaurante indicado por Abelão e encontramos um ótimo ambiente, com pessoas de todas as partes do mundo, com cardápio e serviço de primeira qualidade. Conversa solta, o assunto não podia deixar de ser futebol, ocasião em que falamos do adversário do Inter. O Mazembe é uma time traiçoeiro, pois tem forte marcação e contra-ataque rápido. No entanto, vale salientar a liberdade que tiveram seus atletas do meio para frente, tendo em vista a fraca marcação proposta pelo Pachuca. Os mexicanos não tinham nenhum atleta que fizesse marcação frontal, apenas jogadores que cercavam os meias e atacantes africanos.

Abel quer retornar ao Brasil

Na sequência, Abelão informou-me sua ideia de retornar ao Brasil após o término do seu contato com o Al-Jazeera, que ocorrerá em maio do próximo ano, e também da sua disposição de ficar inativo, aproveitando longas férias com a família até o final de 2011. Atenção clubes que desejam um grande treinador! Será que o Abelão aguenta?

Ainda na prosa, o nosso treinador campeão do mundo me questionou sobre o time B colorado, cuja a estratégia de montagem, mesmo acompanhando à distância, elogiou muito. Ele enfatizou que todos os grandes clubes brasileiros deveriam adotar políticas semelhantes, já que muitos jogadores que superam a idade da categoria júnior, sem destacaram-se, acabam amadurecendo de forma mais tardia. Eles têm condições de crescimento, mesmo depois de 22 ou 23 anos. Acentuei que hoje temos, no mínimo, sete atletas com qualidade superior, que, inclusive, poderão ter muito sucesso no futuro.

Numa espécie de desafio com prova futura, escrevi em um guardanapo de papel do restaurante Iate Clube, os nomes de Kleber, Dalton, Romário, Massari, Augusto, Sasha e Oscar, como futuras estrelas coloradas. Abel dobrou o papel e colocou em sua carteira; daqui a alguns anos vamos abrir o guardanapo pra ver quem bingou. E assim, após 3 horas de muitas reminiscências, encerrou-se o agradável encontro.

Zagueiro árabe levou "pau" no treino

Com ausência de Rodrigo, impedido pela FIFA de fazer parte do nosso grupo para a disputa do Mundial, buscamos no Al-Jazira, clube árabe treinado por Abel, um menino do time sub-20. Abel disse que escolheu o jovem Sultan, atleta canhoto que atua preferencialmente como lateral-esquerdo e volante também pelo lado esquerdo, por ser um jogador com bastante qualidade, com alguma técnica. No entanto, às vezes, ele usa em demasia o vigor físico.

Abel disse que o proibiu de “chegar junto”, dar carrinho, dividir bolas com violência, pois estava ajudando nos treinamentos do time que seria campeão do mundo. Diante desta veemência, que foi reiterada por Roth, Sultan apresentou-se sempre comedido e tímido. Mesmo no treino de hoje à tarde, já mais ambientado, quando literalmente “tomou pau” de todos os nossos atacantes que exercitavam a marcação sob pressão na defesa adversária.

Em vários momentos Alecsandro, Sobis, D’Alessandro e Tinga “tiraram lasca” do pobre árabe, que, indefeso, apenas olhava seus adversários pressioná-lo na marcação, atendendo ordem de Celso Roth.

Aliás, a tônica do treinamento ministrado por Roth foi pressão na saída de bola do time reserva, exatamente ao contrário do que fizeram os mexicanos contra o Mazembe. Com isso, espera-se que os zagueiros e volantes dos africanos comentam erros que possam dar margem aos contra-ataques e gols nossos na partida da semifinal. Já falei demais, até amanhã!