
Neste segundo dia de contato com os leitores, vou fazer comentários e narrativas por tópicos, retratando curiosidades da nossa viagem iniciada em Porto Alegre.
• O voo foi tranquilo, com os jogadores assentados na parte fronteira da aeronave, juntamente aos dirigentes, em torno de 40 lugares. Daí para trás do avião sentaram-se alguns familiares de jogardes e dirigentes, torcedores variados e integrantes da imprensa. Os torcedores levaram para a aeronave um pouco do clima do Beira-Rio, entoando cânticos que tanto encantam as outras torcidas brasileiras e sul-americanas. Neste período, ainda aconteceram algumas entrevistas com dirigentes, com fotos e muita conversa, já que participar de um Mundial é uma oportunidade única para todos os integrantes deste voo.
• Tudo correu na maior normalidade. Fizemos o pit stop em Lagos, na Nigéria, para reabastecimento, que, pelo cálculo inicial, demandaria cerca de uma hora. Para surpresa de todos, esta pequena parada tornou-se uma exaustiva demora, pois vários embaraços começaram a surgir, todos protagonizados pelos nigerianos responsáveis pelo fornecimento de alimentação, rebocamento da aeronave até o local de reabastecimento e, finalmente, pelos controladores de voo de Lagos. Depois de algumas discussões com informações distorcidas, apareceu a solução mágica: o equivalente a U$ 840, cobrados por alguém fora do combinado de modo a agilizar a nossa partida. Logo, o rebocamento e reabastecimento da aeronave, bem como a liberação dos controladores de voo que emitiram a ordem de decolagem do nosso avião, ocorreram antes das 6 da manhã do horário local. Ficamos praticamente quatro horas e 30 minutos retidos naquele aeroporto, período no qual teve importante participação o companheiro Roberto Siegmann, que dormiu durante as quatro horas e meia, roncando o tempo todo e divertindo as pessoas ao seu redor, entre elas a mim.
• A partir da Nigéria, nosso voo foi normalíssimo e, após seis horas e 30 minutos de viagem, aterrissamos em Abu Dhabi, com recepção magnífica de um verdadeiro clube campeão da América. Diferentemente dos demais integrantes do voo, nós, da delegação, fomos levados para um salão redondo com cerca de 400 metros quadrados, todo com mármore nas paredes e carpete no piso, além de ouro cobrindo as luminárias. Um local realmente deslumbrante. Ali esperamos o desembaraço da documentação de ingresso no país, bem como das bagagens e, em 30 minutos, nos dirigimos ao hotel Rotana Beach. No hotel, por sinal maravilhoso, fomos direto para uma refeição, que pode ser considerada almoço ou janta, já que no período de viagem perdemos um pouco o compasso do nosso dia. Este hotel, com muito movimento de pessoas de várias nacionalidades, apresenta na sua parte térrea uma pequena feira de venda de objetos de Natal que certamente será visitada pelos integrantes da delegação, pois tem variados produtos, também de várias nacionalidades, que desde logo despertaram a nossa curiosidade.
Esse, resumidamente, foi o nosso dia a partir da saída de Porto Alegre, ficando mais uma vez claro para nós o quanto é importante disputar um campeonato mundial tão glamouroso. São momentos como este que fazem com que nenhuma das dificuldades que enfrentamos ao longo do trajeto possa refrear ou servir de empecilho ao propósito que trouxemos de Porto Alegre: buscar o título do bicampeonato mundial.
