Hiltor Mombach

Fim da impunidade

Escrevi na quinta-feira uma coluna que levou o título de “Isto é o Brasil”. Tratava da malcheirosa possibilidade de anulação do jogo Internacional 2 x 1 Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro e da frase jocosa usada por muitos para expressar sua indignação com o fato: “Isto é o Brasil”.

Encerrei falando sobre um outro Brasil, o que não tolera mais o jeitinho de acomodar as coisas: “Isto é o Brasil, o Brasil que não suporta mais intervenções jurídicas carregadas de segundas intenções, o Brasil da imensa maioria, o Brasil das pessoas de bem, o Brasil que se não vingou ainda por completo no futebol, há de vingar sem demora. Quem não embarcar neste Brasil, será desembarcado dele.” Disse pouco ou quase nada e retomo o assunto.


Este novo Brasil tem fiadora, a presidente Dilma. Graças a Dilma, também, foi desembarcado do país Ricardo Teixeira, por exemplo. Acusado de estar envolvido no maior escândalo da história da Fifa, o caso ISL, Ricardo Teixeira certamente seguiria nos cargos de presidente da CBF e do COL (Comitê Organizador Local da Copa de 2014) se contasse com a blindagem de Dilma. Mas a presidente, ao contrário de Lula, fez questão de jamais receber Teixeira, que sem proteção governamental refugiou-se em Boca Raton.

Ricardo Teixeira parece não ser o único na lista que Dilma gostaria de ver longe do poder. Não vai muito, o jornalista José Cruz registrou: “Conversando com uma autoridade do governo federal, soube que a presidente Dilma está “de saco cheio” e com “um pé atrás” com o presidente do COB e do Comitê Rio 2016, Carlos Nuzman.”
Relatou nos tempos do presidente Lula, Carlos Nuzman entrava pela garagem do Palácio do Planalto, geralmente com o então ministro Orlando Silva, indo direto para o gabinete presidencial. E que, com Dilma no poder, toma chá de banco.
Com o respaldo de Dilma, torna-se menos complicado moralizar o desmoralizado futebol brasileiro. Há esperança. Não se sonha com o fim da corrupção, da fraude, da malandragem, do jeitinho, pois isto é uma utopia não alcançada por japoneses, americanos, ingleses, franceses, chineses, italianos...Mas não custa sonhar com o fim da impunidade, com a expatriação da turma do mal.