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Fui ver Messi contra a seleção da Nigéria. Antes de prosseguir, transcrevo trecho de uma coluna antiga: “Toda tese, da mais obtusa à mais insana, viverá seu momento, mesmo que fugacíssimo, de confirmação e consagração. Estamos diante de uma verdade irretocável. O insensato que duvidasse da genialidade de Pelé, colocando-o no rol dos jogadores medianos, diria, pelo menos uma vez: ‘Viu, eu não disse?’. Sim, até o rei teve dias de nada”. Pois bem, fui ver Messi. Queria uma única vez ver Messi em dia de nada. O Beira-Rio estava como nunca, vestido quase todo de azul, e eu na carona dos brasileiros que foram apoiar os africanos. A única chance de a Nigéria ter alguma chance era Messi não estar em tarde de gênio. O árbitro mal apitara o começo da partida e Mascherano pifou Di Maria, que mandou um balaço. A bola resvalou por debaixo do goleiro Enyeama e deu um beijão no poste, retornando, domada, para os pés do seu domador abrir o placar. Havia ido ver Messi e estava vendo. Por um tempo me concentrei apenas em perseguir o craque no gramado, na intermediária, um pouco mais pela direita, quase parado, como quem joga o anzol e espera o peixe morder a isca. A bola demorou, mas descobriu sua solidão e foi fazer companhia. Ele arrancou, driblou dois e acabou derrubado. Acariciou a pelota, colocou-a no gramado perfeito e macio, e mandou ver. A bola subiu e, como se fosse um brinquedo acionado por controle remoto, desceu, quase no ângulo: gol. Havia ido ver Messi e estava vendo. Na saída, agradeci ao futebol por nos ter dado gênios como Messi. O selecionado do Papa está bem servido. E lembrei que nos três jogos da Copa, Neymar foi mais decisivo. Não vou compará-los, craques não se comparam, se admiram, apenas registro que Neymar foi mais decisivo. Ah estes indicativos de que Deus é brasileiro....