Futebol autossustentável é utopia num país onde os clubes recebem fortunas que são tragadas por um aspirador gigante.
Patrocinador forte nem sempre é certeza de taça, mas invariavelmente é garantia de dinheiro no ralo.
Aí mesmo, com o pila jorrando (dinheiro dos outros, obviamente), é que os clubes afundam de vez passada o tempo de fartura.
No primeiro ano sem a parceria com a Parmalat, o Palmeiras começou a fazer água.
Isto em 2001.
Acabou rebaixado em 2002 e 2012.
Agora, com a Crefisa injetando grana, voltou a ser um vencedor.
Pode montar, e sustentar, dois times de ótima qualidade para aguentar um calendário que é um atentado aos clubes. Quando o patrocinador sair será um salve-se quem puder.
Por aqui, o Juventude também contou com o dinheiro da Parmalat e foi, por um bom tempo, um clube modesto entre gigantes da Série A. Acaba de ser rebaixado para a Série C.
Com os milhões do MSI, parceria que acabou em escândalo (lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha), o Corinthians levantou o Brasileiro de 2005.
Sem os milhões, foi rebaixado para a Série B dois anos depois.
No primeiro ano a MSI investiu cerca de R$ 115 milhões e trouxe ao Corinthians nomes como Tevez , Mascherano, Nilmar, Carlos Alberto, Roger e o técnico argentino Daniel Passarella.
Grêmio & ISL rendeu uma Copa do Brasil, muitas páginas policiais e 16 anos de recuperação da instituição, com a criação de vários condomínios de credores.
Quando chegou a conta, Obino (um verdadeiro herói do clube) não deu conta.
Não havia um tostão nem para pagar a luz.
Resultado: Grêmio na B em 2004.
O Inter multicampeão contava com um paitrocinador (assim mesmo) Delcir Sonda, ainda convocado em momentos de cofres vazios.
Nem o socorro emprestado pelo empresário na gestão Piffero evitou um rebaixamento histórico para a Segundona.
Futebol autossustentável no Brasil foi, é e continuará sendo uma utopia.
