Hiltor Mombach

FUTEBOL CONGELADO

FUTEBOL CONGELADO

O Brasil do primeiro tempo contra a Coreia do Norte esteve comprometido. Com o fiasco.
A atuação nos 45min iniciais foi de deixar o torcedor de cabelo em pé na geladeira que estava o Ellis Park.
Chutamos míseras três bolas em gol. Contra duas dos coreanos. Tivemos 66% de posse de bola, mas nem 100% equivale a um gol. E gol não marcamos. Impossível marcar com futebol tão burocrático.
Um futebol tico-tico. Kaká liderava a ruindade.
Estava dando um desconto por ser jogo de estreia.
Mas lembrei da estreia da Alemanha.
Veio o segundo tempo e nada mudou.
Bolas alçadas para ninguém e um Dunga pálido no banco. De frio e de nervoso. Ele e todos os brasileiros no estádio.
Até que aos 10min Maicon mandou um balaço, quase sem ângulo.
Golaço. E alívio geral.
Depois do 1 a 0 o Brasil passou a mandar no jogo.
Já não era sem tempo, pois do outro lado estava a Coreia e não a Alemanha, Itália, Argentina, Holanda...
Alemanha que estreou como eu gostaria que o Brasil estreasse.
Fizemos 2 a 0 e pensei em goleada. Agora vai!
Mas o Brasil novamente passou a estar comprometido. Agora com a zebra. Com uma zebra história. Se vingasse.
Os coreanos fizeram um gol e foram para o sufoco. Ninguém acreditava no que via. Levar sufoco dos coreanos!
Parte da torcida brasileira pedia o apito final. Havia cheiro de tragédia. A torcida coreana estava enlouquecida. Com razão.
Quando o árbitro apitou o fim, festa. Uma festa assim, assim, acanhada, não um festão. Festas de quem viu sua seleção fazer o dever de casa sem louvor algum.
Vencemos longe de convencer.
Kaká? Uma decepção. Comprometeu-se com o futebol tico-tico.
Logo ele, a maior esperança.
Mas vencemos na estreia. No frigir dos ovos, é o que importa.
E Nilmar entrou bem. Dá esperança.
Agora é azeitar o time. Com Kaká ou sem Kaká? Com o Kaká da noite gélida de terça-feira, não.
A noite congelou seu futebol.