Hiltor Mombach

Futebol e finanças

Saiu esta semana a “Análise Econômico-Financeira dos Clubes de Futebol Brasileiros /2018”, trabalho dos profissionais da área de crédito do Itaú BBA. Com uma pergunta importante: “Será que o desempenho esportivo de 2018 está de alguma forma relacionado ao desempenho financeiro de 2017?”
Diz que os Estaduais, torneios de tiro mais curto e em início de temporada, acabaram dominados por clubes em situação mais difícil.” O Grêmio foi a exceção campeão: “Podem haver inúmeras explicações e justificativas, como por exemplo o fato de saberem que este é o único campeonato onde realmente podem competir em pé de igualdade, pois está no início da temporada e os clubes mais organizados estão se estruturando para as competições mais longas.”
Já no campeonato mais longo (Brasileiro), “onde planejamento e equilíbrio financeiro fazem alguma diferença, dos seis primeiros colocados ao final do primeiro turno, os três equilibrados (Flamengo, Palmeiras e Grêmio) estavam entre eles, e o líder era um clube próximo ao equilíbrio (São Paulo). Curiosamente, e refletindo a ideia de que o futebol brasileiro é imprevisível, um clube em dificuldades (inter) era o vice-líder, mostrando que alguma organização e sorte na montagem do elenco acabam dando resultado.
Enquanto isso, nos torneios eliminatórios, vemos os clubes equilibrados avançando (Flamengo e Palmeiras). E temos que considerar que na Copa do Brasil, Flamengo e Grêmio se enfrentaram, nas quartas de final, de forma que o sorteio direcionou que um dos três equilibrados ficassem de fora da semifinal.”
Estão ainda nas semifinais da Copa do Brasil Corinthians e Cruzeiro, que o Itaú BBA aponta como clubes “desequilibrados/com dificuldades iminentes”. Participaram das oitavas da Libertadores três times equilibrados financeiramente (Grêmio, Flamengo e Palmeiras), um próximo ao equilíbrio (Santos) e dois “desequilibrados/com dificuldades iminentes” (Corinthians e Cruzeiro). Grêmio, Palmeiras e Cruzeiro estão nas quartas.
Conclusão da análise: “Mas vai ficando claro que equilíbrio financeiro leva os clubes mais longe nos campeonatos mais longos e nos mais importantes. Podem até não vencê-los, mas estão mais preparados para irem mais longe. E quanto mais tempo mantiverem este equilíbrio enquanto os adversários patinam, mais se destacarão.”