Hiltor Mombach

Futebol, esta arte maravilhosa e soberana

Começo com um parágrafo de Nelson Rodrigues:
“Hoje, vou fazer do escrete o meu numeroso personagem da semana.
Os jogadores já partiram e o Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética. Nas esquinas, nos botecos, por toda a parte, há quem esbraveje: — “O Brasil não vai nem se classificar!”
E, aqui, eu pergunto: não será esta atitude negativa o disfarce de um otimismo inconfesso e envergonhado?”
Recentemente um quadro do pintor Pablo Picasso foi arrematado pelo preço recorde de 179,3 milhões de dólares em leilão.
O futebol não imita a arte: é a síntese da arte.
O jogo entre Inter e Atlético-MG no Beira-Rio é uma obra impagável.
Os gols de Valdívia e D’Alessandro surgem geniais, duas pinturas.
A vitória e a classificação para as quartas de final da Libertadores deveriam ser por si só um acontecimento definitivo e indiscutível.
Uma obra de arte deste quilate não se discute, se admira.
Porém, debate-se mais a forma, a dramaticidade, do que o fato.
Em cada um existe um modo de ver a arte.
Até aqui futebol e arte se misturam.
Os 3 a 1 deixaram muitos colorados com a esperança mais frenética do tri da Libertadores; já a pressão sofrida pelo Inter fez outros padecerem do pessimismo mais obtuso.
E, aqui, eu pergunto: são será pessimismo obtuso um disfarce de um otimismo inconfesso e envergonhado?
Na arte não há mas, porém, no entanto...
Já em futebol, há intermináveis mas que sempre levam a outros mas.
É isto que torna o futebol tão soberano.
Mesmo uma obra prima como a de quarta-feira ganha novas pinceladas conforme o olhar de cada um.