Trecho do que disse Alexandre Rangel, da Ernst & Young na reunião de 5 de setembro.
Boa noite, senhores Conselheiros, Conselheiras, sócios e sócias, cumprimento também a Mesa.
Uma satisfação muito grande estar aqui no Sport Club Internacional, vou ser breve, porque eu sei que o interesse de todos vocês é ver o resultado do diagnóstico mas acho que é muito importante colocar, dentro do que a gente está apresentando, o contexto geral, e como o Inter se coloca dentro desse todo o processo do futebol.
E aí, um pouco desse slide aqui é só para mostrar que temos trabalhado desde 2013, muito dentro do futebol, por que a Ernst Young tem trabalhado dentro do futebol?
Porque essa indústria, até pouco tempo atrás, era uma indústria considerada por todos nós, das grandes empresas de consultoria, como indústria não profissional, não era nem uma indústria classificada como segmento econômico de interesse das grandes empresas e a partir do começo dessa década no Brasil, e lá fora já tem mais tempo, ela começou a passar pelo mesmo ciclo de mudança de crescimento econômico que, por exemplo, a indústria do futebol passa na Europa na década de 80.
Acho que se a gente relembrar, pois trabalhamos em vários clubes, e é bem interessante, mas vamos falar especificamente aqui do Internacional. E se vocês se lembram, década de 90, qual era a receita de um clube de futebol?
Um clube como o Inter?
Basicamente, era a respeito de sócios, da área social e bilheteria.
Não existia direito de transmissão, não existia licenciamento,não existia royalties, transações econômicas de venda de jogadores eram valores pífios, basicamente, se vivia de bilheteria, se vivia de contribuições de associados do clube social.
Ontem eu estava num outro clube do Brasil, um clube grande também, que compete com o Inter, todos somos competidores, não somos inimigos, mas somos competidores e o Presidente me citava:
“Em 1997 esse clube aqui faturava 2 milhões de reais por ano.
Esse ano ele vai faturar 200 milhões de reais, aumento de 100 vezes de receita em 20 anos.
A maioria dos balanços dos clubes não vai até essa data, mas se a gente pegar o Inter talvez não seja muito diferente, 50 vezes, 30 vezes, 110 vezes, qualquer clube do Brasil passou por este processo. Então, estamos falando hoje não mais de clubes sociais, não estamos de clubes que movimentam 10, 20 ou 30 milhões, mas estamos falando de clubes que movimentam centenas de milhões de reais, com riscos e necessidades de governança extremamente complexos.
E estamos trabalhando numa indústria hoje que cresceu, numa recessão, de 2015 a 2016, 23% em receita de 2015 para 2016 e cresceu 28% no ano passado, que foi um ano de grande crise no Brasil.
Quer dizer, que indústria, que segmento, no Brasil, passa por um crescimento tão acelerado?
E nos próximos anos vão sendo muito interessantes, muitas oportunidades e riscos; oportunidade para quem trabalhar bem, risco para quem trabalhar mal.
E nós vamos passar por uma transição enorme no modelo de venda de direitos de TV.
Não nessa questão só de Globo, mas a mudança da televisão para dentro do digital, para dentro do “extreme” para dentro de plataformas que o pessoal chama de “over the top”, é uma mudança completa na forma como você monetiza.
Então, estamos passando por uma transição de geração de valor dentro dessa indústria muito grande.
Assim, só comparando um pouco com outro clube com o Presidente, ele falou:
“A gente aqui não é mais clube de futebol, isso aqui é uma empresa de entretenimento, eu sou que nem uma empresa de cinema, eu entrego um filme na quarta-feira e no domingo ainda vendo ‘making off’, vendo brinquedo, vendo produto, isso aqui é um business”, e nós estamos falando com clubes que têm a ambição de faturar, daqui a 03, 04 anos, um bilhão de reais.
E clubes que querem botar dentro do departamento de futebol 300, 400 milhões por ano, seja em investimento, seja em folha.
E estamos falando de um negócio muito complexo.
E é dentro desse contexto que vocês vissem um pouco esse diagnóstico, não olhando os problemas que achamos, mas como é que o Inter pode, a partir deste diagnóstico, tornar-se cada vez mais competitivo dentro desse cenário que está sendo criado pelo futebol, como lá na Europa já aconteceu, como está acontecendo na Ásia, e vai acontecer no Brasil.
Estejamos prontos ou não, essa mudança está acontecendo, e ela vai acontecer com uma velocidade muito rápida.
Então, vou dar um exemplo de coisas que nós estamos fazendo hoje com alguns dos competidores do Internacional, só exemplo de situações onde hoje estamos vivenciando, hoje, o meu time, a Ernst Young, e que são coisas que se a gente não construir no Inter hoje uma base para podermos caminhar nessa direção, vamos passar por esses riscos, riscos de perder oportunidade de negócio que o mercado hoje está colocando.
Então, em vários clubes, por exemplo, hoje, estamos trabalhando com a profissionalização dos clubes visando trazer investidores internacionais.
E eu brinco que isso é o famoso “Crefisa em euro”.
Trazer fundos de fora, fundos do Oriente Médio, fundos europeus que têm interesse de investir no futebol brasileiro, porque futebol bem gerido é altamente lucrativo.
E isso muda a competitividade do cenário, e há muitos clubes trabalhando nessa direção, há uma série de limitadores, inclusive legais, hoje, tributários, mas essas barreiras estão sendo vencidas até por várias ações em congressos, que vários dos clubes estão patrocinando.
E hoje se está trabalhando muito com grandes fundos, que estão investindo em tecnologia e investindo em capital.
Hoje teve um outro competidor de vocês que lançou um primeiro patrocinador 100% digital no mercado, com valor significativo.
Quer dizer, uma fronteira nova de como se monetizar no futebol.
E nós estamos trabalhando também com outros projetos em clubes, assim como é que eu tiro dinheiro dessa nova tendência do pessoal de 5 a 12 anos, daqui a 5 anos, vai ser quem vai consumir o futebol, e de não querer mais ver televisão, não querer nem mais ver “pay-per-view”, mas só vai querer ver futebol no tablet, no celular, e que não tem paciência para ver 90 minutos, mas quer ver o jogo, os melhores momentos, e quer fazer “extreme”, quer twittar junto com o jogo, quer dizer, como é que você tira dinheiro dessa galera que não vai mais ver futebol como a gente, da nossa geração vê.
E isso é uma outra revolução, se não tiver preparado não vamos conseguir ser competitivo,e tem gente hoje trabalhando nessa direção.
Muita gente trabalhando nessa questão da transição de clube para clube empresa, clube social, um projeto grande, que a gente tem, é uma discussão grande: eu sou clube formador ou sou clube comprador de ídolos?
Isso parece uma coisa meio subjetiva, muito simples, mas isso muda totalmente a estrutura, inclusive financeira do Clube, e isso muda até a forma como você monta o seu CT.
Em por trás disso, não vou entrar em detalhes de cada um desses projetos, e quero só elencar para vocês, assim: o futebol brasileiro não é nada diferente do que aconteceu na Europa, nada diferente daquilo que está a Ásia e um passo atrás, ele está num movimento de transformação muito grande.
A gente, hoje aqui no Inter, vai apresentar um diagnóstico, onde vocês vão ver que temos uma série de deficiências que temos que sanar rapidamente para quê?
Não só para corrigir, talvez as novas deficiências, mas poder entrar nesse jogo, que é um jogo de alto valor agregado, é um jogo complexo, é um jogo que envolve tecnologia, é um jogo que demanda uma gestão empresarial fortíssima, envolve parceiros financeiros, bancos, fundos que só botam dinheiro em empresas como eles olham o Inter, olham os competidores, como se fossem empresas, e se eles vão sentir, na credibilidade, sentir nos processos, sentir a governança, esse fluxo de capital que poderia ir para o Inter pode ir para o competidor de vocês, seja aqui no Estado, seja na região, seja em outra região do País.
Então, são riscos competitivos, é um outro jogo que vocês, como parte do Conselho Deliberativo do Inter tem que ter muita ciência e olhar esse diagnóstico não com olhos do passado, mas como a gente projeta, como bem falou bem o Presidente, como falou o Paulo, como falou o Leandro, como olhamos isso para o futuro. É isso que estamos querendo propor para vocês hoje, e devolvo para o Paulo para apresentar o diagnóstico, mas pensem no que vocês vão ver, não assim, como isso aconteceu, por que isso aconteceu, e como é que eu consigo melhorar daqui para eu pode entrar dentro desse jogo agora, que é o jogo, agora, que é o jogo aonde, no futuro, vai levar o Inter a ser um clube Campeão do Mundo de novo, e é isso que a gente está buscando aqui, é isso que a gente quer atingir..."
