Hiltor Mombach

Futebol, o império do pensamento mágico.

O futebol é o império do pensamento mágico.
Aqui, a regra é simples: um raio pode cair duas, três vezes no mesmo lugar.
Quase sempre o pensamento mágico lida com ícones, estrelas.
A contrário do que se pensa, o pensamento mágico não atinge apenas torcedores comuns: eles fazem parte do imaginário de dirigentes tarimbados.
Sonhar é preciso.
Qual foi, durante anos, o suprassumo do pensamento mágico para o torcedor gremista?
Juntar novamente Koff e Felipão.
Depois de 18 anos separado, Felipão, enfim, se reencontrou com seu Grêmio em julho de 2014 e na presidência estava ele, Koff.
A certeza de que eles reescreveriam outra página gloriosa na história do clube (Copa do Brasil de 1994, a Libertadores de 1995 e o Brasileirão de 1996) se desfez nesta semana com o pedido de demissão de Felipão.
Relembro hoje outras histórias de pensamentos mágicos.
Se quiserem, podem incluir também Fernandão.
FALCÃO
Falcão é e sempre será um ídolo para os colorados.
No dia 16 de abril de 2010 ele retornou para a casamata do Inter no Beira-Rio.
Vestindo um blaser preto, camisa xadrez nas cores branca e vermelha, e calçando sapatênis vermelho com detalhes brancos, foi ovacionado pelo torcedor.
Em 18 de julho de 2011, em  nota oficial, o Inter comunicou seu desligamento. "O Sport Club Internacional comunica mudanças no seu departamento de futebol. O conselheiro Roberto Siegmann deixa o cargo de vice-presidente de futebol. Da mesma forma, o contrato do técnico Paulo Roberto Falcão foi rescindido.
O técnico do time Sub-23 Osmar Loss e o auxiliar técnico André Doring irão assumir a preparação da equipe interinamente". Caiu após uma derrota por 3 a 0 para o São Paulo. Restou da sua segunda passagem o rompimento de Siegmann com Luigi e a mágoa de Falcão.A despedida foi triste.
O ídolo não conteve as lágrimas e criticou o presidente Giovanni Luigi. Questionado sobre o relacionamento com o mandatário, disparou: "Zero. O presidente tem uma maneira de trabalhar que não é a minha maneira. Vou fazer uma pergunta objetiva: você acha que o presidente me queria treinador do Inter? Ou você confia no profissional ou não". Ele encerrou a sua trajetória com 19 partidas: 8  vitórias, 4 empates e 7 derrotas, aproveitamento de 49,1%. Mesmo com o retrospecto ruim, o Internacional conquistou o Campeonato Gaúcho sobre o Grêmio. Porém, foi eliminado da Libertadores pelo Peñarol.
DUNGA
No dia 4 de outubro de 2013 o site do Inter publicou uma nota curta e seca: "O Internacional promoveu mudanças na comissão técnica da equipe profissional.
O técnico Dunga, assim como o preparador físico Paulo Paixão, o auxiliar técnico Andrey Lopes, o preparador de goleiros Rogério Maia e o auxiliar da preparação física Mauro Cruz estão de saída. Dunga comandou o Internacional em 53 jogos, com 26 vitórias, 18 empates e nove derrotas. O Colorado agradece os serviços prestados e parabeniza o treinador pela conquista do Campeonato Gaúcho 2013."
Terminava um casamento selado em 12 de dezembro de 2012 com uma nota eufórica: "Dunga, capitão do tetracampeonato mundial e ex-treinador da Seleção Brasileira, é o novo comandante do time do Internacional." A gota d"água foi a derrota para o Vasco por 3 a 1, em Macaé, a quarta consecutiva. Dunga deixou o clube na 11ª colocação do Brasileirão com 34 pontos, sete atrás do Atlético-PR, o quarto colocado e que estaria garantido na Libertadores de 2014. Dunga é e sempre será um dos ícones do Internacional.
RENATO PORTALUPPI
Para muitos, Renato foi o maior jogador do Grêmio em todos os tempos. Afinal, dos seus pés nasceram os gols que deram, entre tantos títulos, um Mundial. Renato treinou o Grêmio entre agosto de 2010 e junho de 2011. Logo nos primeiros meses de trabalho tirou o time da zona de rebaixamento do Brasileirão e conseguiu a vaga para a Copa Libertadores do ano seguinte. Porém, na temporada 2011, foi mal. Perdeu o Gauchão para o Inter e começou mal o Brasileirão.
Renato nunca se deu bem com o presidente da época, Paulo Odone, que muito depois da demissão do técnico comentou: "Começamos o ano, ele não conseguia mais fazer a equipe render, ele perdeu um Gre-Nal e um campeonato em casa, mas a torcida adora ele. Ele pediu demissão, disse que não dava mais, eu aceitei, mas fui surpreendido no dia seguinte com ele dizendo que não dava mais, que eu era o motivo da saída. O erro é contratar quem você não pode demitir, o ídolo fica na imagem do torcedor pelo resto da vida. Tomara que ele continue gostando do Grêmio". Ele continuou gostando. Tanto que voltaria com Koff.Na passagem pelo comando do clube teve 66 jogos, 34 vitórias, 16 empates e 16 derrotas, o que totaliza 59,6% de aproveitamento.  RENATO, MAIS
Dois anos depois, em julho de 2013, o maior ídolo do Grêmio estava de volta. O jogador campeão da Libertadores e do Mundo retornava abraçado por Fábio Koff,  seu comandante nas conquistas passadas. Renato voltou sem sequer conhecer o novo estádio do Grêmio, a Arena. A relação ruim com Paulo Odone fez com que fosse esquecido para a festa de abertura. Deixaria o Grêmio no final do mesmo ano depois de 17 vitórias, 12 empates e 10 derrotas. Um aproveitamento de quase 54%, enquanto que, na primeira passagem, chegou a aproximadamente 60%.
KOFF e FELIPÃO:
Maior ícone do Grêmio em todos os tempos, presidente entre 1982 e 1983 e entre 1993 e 1996, reponsável por duas conquistas de Libertadores, um Mundial de Clubes, um Campeonato Brasileiro, uma Recopa Sul-Americana, uma Copa do Brasil e três Campeonatos Gaúchos, Koff foi eleito em outubro de 2012 para mais um mandato batendo nas urnas Paulo Odone e Homero Bellini. Deixou o clube sem conquistar título e contratando mais de 30 jogadores em dois anos. Conseguiu fazer o seu sucessor, Romildo Bolzan. Prometeu o tri da Libertadores e não conseguiu dar. Seu sonho era entregar a Arena para os gremistas. O sonho ainda não foi concretizado.  Durante 17 anos torcedor gremista sonhou com o retorno de Felipão.
Ele voltou em julho do ano passado, menos de um mês depois da derrota para a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo, por 7 a 1, bancado por Koff. Saiu acumulando 51 jogos, com 26 vitórias, 12 empates e 13 derrotas, um aproveitamento de 58,8%. Os Gre-Nais marcam os principais momentos de Felipão no Grêmio: perdeu o primeiro por 2 a 0 pelo Brasileirão, depois, no segundo turno da competição, aplicou uma goleada por 4 a 1 sobre o rival e quebrou um jejum de nove clássicos sem vitória. Porém, neste ano, perdeu o título do Gauchão para o Inter, a “Copa do Mundo” do Grêmio em 2015.