Em maio de 2021, durante um dos picos da pandemia, soube que meu amigo de décadas Elio Carraveta havia lançado mais um livro. Retirado, trabalhando em casa, mas fora de Porto Alegre, só muito depois foi encontrar a obra.
Estava na caixa de correio com dedicatória.
Durante a leitura deparei com dois trechos que julguei oportunos para publicação. Ah! O livro leva o título de “futebol, gestão por competências” e tem 175 páginas.
"Quando a estrutura política organizacional é movediça e construída por dirigentes despreparados, sustentados exclusivamente pela paixão e vaidades pessoais, encontram dificuldades para se relacionarem com as áreas de gestão profissional.
Dirigem fundamentados em modelos estereotipados e centralizadores, referenciados em práticas fechadas e autoritárias. Buscam a vitória imediata, a qualquer preço, sem estabelecer um conceito compartilhado de futebol.
Confundem o clube com sua própria imagem pessoal. Para estes dirigentes, qualquer sequência de resultados negativos e pressão externa são suficientes para trocar o treinador, desmanchar as áreas estruturais e demitir profissionais." Carraveta,, Elio. Futebol, Gestão por Competências. Cap.8. Pág. 174. Editora Sulina, 2021.” Outro trecho.
"Quando as bases políticas são vulneráveis, burocráticas e com conflitos de interesses, acentua-se a insegurança, a possibilidade de cisão interna, desequilíbrio nos processos de gestão profissional, trocas sistemáticas, contratações ineficientes, descontinuidade na formação da equipe e declínio competitivo." Carraveta, Elio. Futebol, Gestão por Competências. Cap.2. Pág. 34. Editora Sulina”.
Em 10 de fevereiro deste ano foi surpreendido pela demissão do histórico e competente preparador do clube, onde atuava como coordenador do departamento de performance e saúde.
Lodo da demissão recebi, via WhatsApp, uma mensagem de Carraveta. Começava assim:
"Iniciei minha trajetória profissional no S.C. Internacional há 25 anos. Passei grande parte de minha vida nos mais diversos espaços do clube: vestiário, academia de musculação, caixa de areia, salas de reuniões e campos de futebol. Pela intensidade do vivido posso afirmar que eu não apenas trabalhei no Inter – eu vivi o Inter com dedicação profissional, lealdade e muito afeto.”
Coloco na gaveta da coincidência a demissão ter ocorrido após tal publicação.
Há um trecho que caberia num clube de Cabul.
“Em algumas circunstâncias, esses dirigentes entregam a “chave” do clube para um treinador que, sem conhecer os conteúdos e a organização das diferentes áreas, domina o futebol como um déspota do poder e do saber. Nesses casos, o futebol é personalizado numa figura apenas, que passa a ter poder absoluto sobre as diferentes áreas de gestão. Esse treinador, com poder ilimitado...”
Futebol, vaidade e conflito de interesses
"Quando a estrutura política organizacional é movediça e construída por dirigentes despreparados, sustentados exclusivamente pela paixão e vaidades pessoais,..."
