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O Esporte Clube Passo Fundo completou 30 anos em 10 de janeiro de 2016. E ganhou um livro, o Anuário do Futebol Passo-Fundense Nº 3, contando a história do clube. O autor é Lucas Scherer, jornalista, roteirista e tradutor. O livro traz fichas de todos as partida, jogadores e técnicos, desempenho ano a ano, por competição e por adversário, estatísticas, curiosidades. Muitas curiosidades. Para ler, basta acessar anuariodofutebolpassofundense.wordpress.com. O leitor ganha de presente belas narrativas, como a passagem de Garrincha por Passo Fundo. Havia uma ação contra Mané movida por sua primeira mulher. Para jogar cerca de 40min, Mané recebeu de cachê o valor de 2 mil cruzeiros (cerca de R$ 8 mil em valores atuais). Mané estava sendo procurado pela Justiça, de olho no dinheiro. Mané foi preso? Vamos deixar que Lucas nos conte a história O craque das pernas tortas “O maior jogador a vestir a camiseta do 14 de Julho foi Garrincha? Sim e não. Na verdade, o craque das pernas tortas, bicampeão mundial com o Brasil em 1958 e 1962, não disputou nenhum campeonato ou jogo oficial. Foi apenas uma das muitas partidas de exibição que Garrincha faria para tentar sobreviver à miséria. Pouco tempo depois de ter completado 30 anos, e com os excessos de bebida, o jogador era apenas um retrato triste do que havia sido. Garrincha, então com 35 anos, chegou a Passo Fundo no final da manhã de domingo, 3 de março de 1968. Veio de Porto Alegre no carro do presidente do 14, Hilário Rebechi. O jogador almoçou na casa de Rebechi na vila Cruzeiro. O prefeito Mário Menegaz e até o bispo da cidade, Cláudio Colling, estiveram no almoço. O jornalista Meirelles Duarte, que acompanhou a visita de Mané, lembra de um fato curioso: “Chegada a hora de sentarem à mesa, a figura central, Garrincha, estava ausente e ninguém sabia do seu destino. Procura daqui, procura dali e o encontraram nos fundos da casa, brincando com uns pássaros engaiolados e um vistoso papagaio.” O jogo O jogo amistoso com o Atlântico foi no estádio Celso Fiori. Um bom público compareceu e ficou à espera de um drible, de um lance genial do eterno camisa sete do Brasil. Garrincha atuou apenas no primeiro tempo. Apesar de se limitara alguns dribles e praticamente se arrastar em campo, ainda acertou uma bola na trave. O time de Erechim veio disposto a estragar a festa dos donos da casa. E mereceu a vitória. Mesmo que tenha passado boa parte do tempo com um jogador amenos, devido à expulsão de Roberto por reclamação, teve um pênalti desperdiçado por Aldo, que o goleiro rubro Valdir desviou para escanteio. O único gol da partida surgiu aos 37 minutos do primeiro tempo. Selmar avançou pelo meio e lançou Zoca. Ele se chocou com o goleiro Wilson, que deixara o gol, e a bola sobrou nos pés de Waldemar, que chutou no alto. O goleiro Waldir, o zagueiro Alvim e os meias Selmar e Salada foram os destaques. Do lado do 14 de Julho, o nome do jogo foi o goleiro Wilson, seguido pelo zagueiro Moisés e pelo atacante Artur. Garrincha preso em Passo Fundo? A presença de Garrincha em Passo Fundo acabou despertando o interesse da Justiça. As informações vindas de emissoras do Rio de Janeiro e de São Paulo diziam que Mané poderia ser preso por uma ação movida pelo advogado de sua primeira esposa e mãe de 8 dos seus 14 filhos, Nair Marques. O telegrama que saiu na imprensa da cidade dizia:
“Garrincha, procurado pela Justiça, poderá ser preso, segundo despacho do juiz da 6ª Vara de Família do Rio de Janeiro, Aureo B. Carneiro. Garrincha poderá ficar até três meses recolhido à Penitenciária Lemos de Brito.” O motivo seria o cachê recebido por Mané para jogar cerca de 40 minutos em Passo Fundo, no valor de 2 mil cruzeiros (cerca de R$ 8 mil em valores atuais). Mané não foi preso. O fim do ídolo Depois do jogo em Passo Fundo, Garrincha continuou perambulando em amistosos pelo Brasil. Chegou a jogar uma única partida pelo Júnior Barranquilla, da Colômbia, ainda em 1968. Ainda passou pelo Flamengo e Red Star, da França (onde também entrou em campo apenas uma única vez, em 1971), até terminar oficialmente a carreira no Olaria, em 1972. Garrincha morreria 15 anos depois, em 1983, com o fígado e o pâncreas destruídos pelo álcool, de infecção generalizada. Tinha 49 anos. O corpo de Mané está no cemitério Raiz da Serra, em Magé, no Rio de Janeiro.”