Minha intuição diz que este Gauchão não é mais do mesmo.
Em 1995, vivendo tempos de glória, o Grêmio se deu ao luxo de escalar um time que ficou conhecido como “banguzinho”.
Dando prioridade para a reta final da Libertadores, que conquistaria, apostou numa equipe quase reserva para disputar a final do regional Venceu o Inter por 2 a 1 e ficou com a taça.
Nos tempos de ouro do Grêmio Koff chamava o Gauchão de “cafezinho”.
O “banquete” era a Libertadores.
Volta e meia o Inter falava em relegar o Gauchão.
Ficava apenas na ameaça. Na hora H, o regional sempre virava uma Copa do Mundo.
Este regional surge como uma Copa do Mundo desde a primeira rodada.
Há justificativa.
A gestão Guerra não entregou nada fora dos domínios domésticos e um inédito octa colocaria 2025 na história.
A gestão Barcellos não quer ficar marcada como aquela que perdeu cinco estaduais enfiados, algo também inédito.
Mas, e há sempre um mas em tudo, uma podemos estar vivendo uma outra realidade, a de que o Gauchão passou a ser o único título possível a ser comemorado por Grêmio e Inter diante do abismo que se estabeleceu em relação a Palmeiras, Flamengo, Botafogo, Galo...
Como escrevi, posso estar equivocado.
Mas é esta minha intuição hoje.
Antes e depois
Antes do advento do Campeonato Brasileiro por pontos corridos, em 2003, Inter (3) e Grêmio (2) detinham cinco títulos.
Depois, nenhum. O último grande título do Grêmio é de 2018, uma Recopa, e do Inter de 2011, uma Sul-Americana.
O orçamento dos dois cresce, e muito, mas nunca chega na metade do faturamento de Palmeiras e Flamengo, por exemplo.
Eleição
O Grêmio vive um ano eleitoral.
Caso Guerra conquiste o octa e consiga resolver a pendenga da compra da gestão da Arena poderá pensar em concorrer e se reeleger. Ou fazer alguém da Situação seu sucessor.
Perdendo a chance de conquistar o octa abrirá um espaço gigantesco para a Oposição, que já tem alguns pretendentes em campanha.
Fórmula interminável x vapt-vupt I
Em 1994, o Gauchão se estendeu por nove longos meses e foi rotulado por este colunista de "interminável". Obrigou o Grêmio, por exemplo, a jogar três vezes no mesmo dia. Foram 506 jogos. Pela fórmula, os 23 clubes se enfrentaram em turno e returno, o que alongou e muito a competição.
Fórmula interminável x vapt-vupt II
Isto favoreceu Inter e Grêmio a fazerem do regional um laboratório para testes.
No regional deste ano, qualquer tropeço pode custar caro.
Na primeira fase são apenas oito jogos e, de cada um dos três grupos com quatro equipes, só o primeiro garante vaga na semifinal. Também passa o segundo de melhor campanha.
Gauchão deixou de ser cafezinho. Virou banquete para Grêmio e Inter
Nos tempos de ouro do Grêmio Koff chamava o Gauchão de “cafezinho”. O “banquete” era a Libertadores
