Temporada de 1995. Há 22 anos, vivendo tempos de glória, o Grêmio se deu ao luxo de escalar um time que ficou conhecido como “banguzinho”. Dando prioridade para a reta final da Libertadores, que conquistaria, apostou numa equipe quase reserva para disputar a final do Campeonato Gaúcho. O treinador Felipão mandou para o campo os titulares Rivarola, Roger, Dinho, Carlos Miguel e Paulo Nunes. Os demais eram reservas. O Grêmio venceu por 2 a 1, com gols de Nildo e Carlos Miguel e ficou com a taça.
Nos tempos de ouro do Grêmio Koff chamava o Gauchão de “cafezinho”. O “banquete” era a Libertadores e havia ainda a “sobremesa”, o Campeonato Brasileiro.
As coisas mudaram. Nos últimos 16 anos o Grêmio levantou apenas quatro canecos regionais, o último em 2010. O Inter ergueu 12. Em 2014, ao ganhar o tetracampeonato, o 43º na história, o Inter abriu sete títulos de distância para o Grêmio. Tal diferença não era vista entre os dois gigantes do futebol do Rio Grande do Sul há 30 anos. A diferença subiu para nove.
Antes de estrear no Gauchão deste ano o Inter postou em seu site: “São seis títulos seguidos e uma marca histórica para o Colorado, mas o clube não se dá por satisfeito e, a partir deste domingo (29/01), começa a busca pelo heptacampeonato. Com 45 troféus, o Inter tentará alcançar pela segunda vez na história a conquista de sete Gauchões seguidos, fato que só ocorreu em 1975.”
Poucas vezes os dois times valorizaram tanto uma taça regional. O Inter tenta manter a hegemonia, o Grêmio quebrar. Isto num ano atípico, pois pela primeira vez na sua centenária história o rebaixado Inter disputará uma Série B do Campeonato Brasileiro.
Não é sempre que dois representantes do Interior realizam a segunda partida de uma semifinal como mandantes. Donos das melhores campanhas até aqui, Novo Hamburgo e Caxias jogarão em seus estádios neste domingo.
O resultado de 1 a 0 para o Inter contra o Caxias no Beira-Rio, sábado passado, parecia pouco, mas ficou de bom tamanho diante do empate do Grêmio em 1 a 1 contra o Novo Hamburgo em plena Arena.
Camisa, tradição, disparidades técnicas, investimentos, estrutura...Tudo isto entra em campo. Com folhas de pagamento girando em torno de R$ 10 milhões cada, contra cerca de R$ 200 mil dos adversários, Grêmio e Inter entram em campo como favoritos. Porém, nenhum dos jogos está jogado. Não apenas pelo resultado da primeira partida, mas principalmente pelas atuações de Caxias e Novo Hamburgo, que em momento algum se intimidaram e até poderiam ter obtido resultado melhor.
O Novo Hamburgo foi o melhor mandante da etapa de classificação, com surpreendentes 88,9% de aproveitamento. Foram cinco vitórias e um empate em 1 a 1 justamente contra o Grêmio, que igualou ao final do encontro. o Grêmio tem 33,3% de aproveitamento como visitante.
O Caxias como mandante: 66,7% de aproveitamento, com três vitórias, um empate e uma derrota. O Inter como visitante na primeira fase: 39,% de aproveitamento.
