Teremos neste domingo o segundo e decisivo confronto para apontar o campeão gaúcho de 2026. Inter e Grêmio jogam no Beira-Rio.
Como aplicou 3 a 0 no Gre-Nal da Arena, o Grêmio já deve ter reservado um lugar no museu para a taça.
Alguém já disse que pior do que ganhar o Gauchão é perder o Gauchão.
Pior ainda em tempos onde o ruralito passou a ser o título que ainda pode ser sonhando pelas torcidas sem virar pesadelo.
A famosa frase de que o Gauchão é um "cafezinho", popularizada pelo saudoso Fábio Koff na década de 1990, está sepultada vai tempo.
Hoje, o ruralito virou banquete.
NOSTRADAMUS
Feito um Nostradamus dos pampas, sentenciei em 2003, quando da extinção do mata-mata e da aprovação da fórmula de pontos corridos, que não veríamos Inter e Grêmio festejar um título do Brasileiro pelos próximos 100 anos.
Há previsões que você faz e torce para errar. Não errei até agora. Não devo errar em 2026.
O sistema de pontos corridos foi aprovado em dezembro de 2002. e lá para cá o Inter empilhou títulos no mata-mata, entre eles duas Libertadores, um Mundial/Fifa e uma Sul-Americana. O Grêmio, uma Libertadores e uma Copa do Brasil.
Com apenas dois clubes grandes, Inter e Grêmio, o Rio Grande do Sul conquistou dez títulos nacionais (Brasileiro e Copa do Brasil) até 2003, média de cinco para cada clube.
Neste período, os quatro grandes de São Paulo (Palmeiras, Santos, Corinthians e São Paulo) haviam conquistado 17, média de 4,25 por clube; os quatro do Rio (Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo) 15, média de 3,75 e os dois grandes de Minas, Cruzeiro e Atlético, cinco, 2,5 cada.
Na era dos pontos corridos, não faturamos nenhum Brasileiro e lá se vão 24 edições (com a de 2026). Vimos São Paulo levantar 12 taças, Rio de Janeiro, sete e Minas Gerais quatro.
FATOS EMBLEMÁTICOS
Este Nostradamus pampeano não tinha como antever, em 2022, que o abismo entre clubes do Rio e São Paulo, principalmente Flamengo e Palmeiras, aumentaria em relação a Grêmio e Inter e se estenderia para outros estados. Hoje, Minas Gerais e Bahia estão na frente.
Os últimos dias foram marcados por dois acontecimentos emblemáticos e que escancaram a profundidade insondável e tenebrosa deste abismo.
O técnico Filipe Luís foi demitido pelo Flamengo após a goleada por 8 a 0 sobre o Madureira pelas semifinais do Carioca.
Deixou o comando depois de 101 jogos, aproveitamento de quase 70% e como o segundo técnico mais vitorioso da história com cinco títulos: Copa do Brasil 2024, Supercopa 2025, Carioca 2025, Libertadores 2025 e Brasileirão 2025. Foi ainda vice campeão Mundial ao perder nos pênaltis para o PSG.
Só em premiações, o Flamengo faturou mais de R$ 400 milhões.
A VERDADE, A REALIDADE
Em Porto Alegre, o diretor executivo do Inter, Fabinho Soldado, participou de uma reunião do Conselho Deliberativo do clube. Matéria do repórter Fabrício Falkowski para o Correio do Povo dá conta de que a expectativa de Fabinho realizar uma campanha tranquila no Brasileiro, de meio de tabela, sem sobressaltos. A meta seria terminar, no mínimo, na 10ª colocação. Em 2025 o clube escapou do rebaixamento na última rodada e de forma dramática.
Como diria o saudoso Emídio Perondi, "esta é que é a verdade, esta é que é a realidade".
Gauchão vira banquete e um exemplo do imenso abismo que separa o Inter do Flamengo
Alguém já disse que pior do que ganhar o Gauchão é perder o Gauchão. Pior ainda em tempos onde o ruralito passou a ser o título que ainda pode ser sonhando pelas torcidas sem virar pesadelo.
