O governador Eduardo Leite (PSDB) foi tomado pela emoção no dia 2 durante um pronunciamento para a população. De acordo com o político tucano, os próximos 15 dias seriam cruciais na luta contra a pandemia de covid-19.
Sete das depois do pronunciamento o mesmo Eduardo Leite anunciou que Inter e Grêmio poderão realizar treinos coletivos já nesta segunda-feira, 13, quando terão se passado 13 dias da seguinte declaração: “Nos próximos 15 dias, fique em casa, lave as mãos, use máscara e respeite os protocolos. Faça a sua parte.”
O até então relutante governador Eduardo Leite liberou os treinos coletivos no dia em que o site do Correio do Povo noticiou o seguinte: “.A volta do campeonato é liberada no mesmo dia em que o Rio Grande do Sul, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, registrou recorde no número de novos óbitos pela Covid-19.”
Parece óbvio, evidente, que liberou os treinos coletivos e anunciou a retomada dos jogos do Gauchão para o dia 23 pressionado. Muito mais pelo Grêmio do que pelo Inter, Federação Gaúcha de Futebol e clubes do Interior.
Depois de insistente pedidos para que o governo estadual liberasse os treinos coletivos nem quem fossem em grupos pequenos de jogadores o presidente do Grêmio, Romido Bolzan, decidiu jogar pesado. Anunciou que time iria treinar em Santa Catarina. O fato colocou Eduardo Leite em colisão com parte da torcida do Grêmio.
Estou longe de ser ingênuo ou angelical e sou adepto assumido da teoria da conspiração em muitos assuntos. Um deles, por exemplo, o escancarado favorecimento da Globo ao Flamengo e Corinthians. Esta briga entre a TV e o clube carioca não vai durar muito. Escrevam.
Não acredito que ao anunciar que o Grêmio iria treinar no estado vizinho Romildo Bolzan tenha pensado na eleição de 2022 para governador, usando a pandemia do coronavírus para encurralar o governador. Romildo é do PDT.
Por muitos motivos. Romildo vem implorando por treinos coletivos, nem que fossem em pequenos grupos de jogadores, vai semanas. Aumentou o tom depois que a CBF anunciou o começo do Brasileiro em 9 de agosto.
A eleição está muito longe e Romildo ganhou prestígio suficiente como presidente do Grêmio. Não necessitaria usar de artifícios como este de jogar o clube contra o governador Eduardo Leite para alavancar uma candidatura .
Por último, conheço Romildo. Uma coisa é o anuncio de treinar em outro estado ter constrangido o governador ,colocando-o contra a parede. Outra bem diferente e ter sido uma atitude pensada com motivação eleitoral.
É possível que Gauchão seja retomado no pior momento da pandemia no RS. Vitória dos interesses, que não são poucos.
Governador, Gauchão, Romildo e política
A retomada do regional e os questionamentos
