GRÊMIO
De tantas vezes que observei meus filhos peleando por mim nunca vi algo deste vulto.
Não sou dada a modéstias, virtude dos fracos. Sei bem do meu valor e de quanto vale cada batalha, cada vitória em meus campos. São justas todas as festas por conquistar o direito de me erguer ao final das campanhas. Poucos o fazem com toda a dignidade que mereço, mas é da vida que nem sempre o mais honrado vença...
Mas GRÊMIO, o que aconteceu em uma noite dezembro passado pelas ruas de minha amada Porto Alegre é inexplicável e impossível de compreender até mesmo para minha calejada vivência. Vi um dos meus filhos mais queridos comemorar às lágrimas, não minha conquista, mas o simples direito de lutar por mim. Os gritos, o choro, a festa... Quanta honra!
Fui eu as lágrimas... Logo eu, tão dura, por vezes cruel e implacável. Me vi de joelhos chorando ao teu lado. Me vi abraçada com a cabeça em teu ombro em pranto emocionado encharcando de teu manto... Manto sagrado.
GRÊMIO... Meu amado GRÊMIO. Eu que só ia te desejar boas vindas. Eu que só ia te desejar boa sorte... GRÊMIO, não sei o que dizer... Me venceste por completo. Nunca mais existirá uma madrugada como aquela. Tu, e somente tu, pode me completar dessa maneira novamente. Somente esse amor tão genuíno é capaz de devolver a América Latina o tamanho dela.
GRÊMIO, meu filho, as portas estão abertas, os campos te esperam, batalhas te aguardam... Mas eu, senhora absoluta desta guerra, estarei aguardando a ti, e só a ti. De todas as paixões és o único amor...
Até quarta-feira, estou ansiosa pelo nosso reencontro.
Com carinho.
Libertadores da América.
Anderson Kegler
GRÊMIO DO PRATA.
