Hiltor Mombach

Grêmio 5 x 2 suposta injúria racial

Na íntegra o texto do site do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol

Texto do site do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol 

 "O Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol julgou na tarde desta segunda, dia 8 de julho, o recurso do Grêmio por suposta injúria racial de um torcedor contra o atleta Yony González, do Fluminense, em partida da Série A do Campeonato Brasileiro 2019.
Por cinco votos contra dois, os Auditores absolveram o Grêmio por insuficiência de provas.

O Grêmio foi denunciado pela Procuradoria por infração ao artigo 243-D por suposta discriminação racial cometida por um torcedor gremista contra o atleta do Fluminense. Em primeira instância, os Auditores puniram o clube com multa de R$ 30 mil. Após a decisão clube e Procuradoria recorreram ao Pleno.

Em última instância o Procurador-geral Felipe Bevilacqua justificou a conduta da Procuradoria.

“Infelizmente a Procuradoria entende que existem diversas provas e indícios claros e evidentes.
A primeira é justamente o testemunho do jogador que estava junto ao ofendido e veiculou o vídeo.
Prova suficiente e legítima.
A segunda é o vídeo com imagens e áudios claros.
Tenho plena convicção de que a palavra citada foi macaco.
Mais um ponto a se destacar é que, a todo momento e foi uma das fundamentações do voto, os dirigentes se baseiam em tentar identificar o torcedor...
Situação delicada, sensível e que trás desconforto a esse Procurador, mas é clara.
Requer que seja provido o recurso e, eventualmente, não se opõe nos valores aplicados, mas pede que seja mantida a condenação”.

A defesa do Grêmio foi divida em duas partes. Inicialmente o advogado Marcelo Mendes sustentou a parte técnica. 

“ Não há qualquer tipo de testemunho de qualquer jogador do Fluminense.
Um torcedor que publicou esse vídeo e um atleta do banco de reservas do Fluminense replica o vídeo.
Várias matérias foram replicadas de um único vídeo.
A única testemunha desse caso é do Grêmio eu estava atrás de quem gravou o vídeo e afirmou que não houve nenhum grito nesse sentido.
Em primeira instância o representante do Fluminense compareceu e disse que o clube e nem atleta tinham interesse no processo.
O vídeo foi gravado do lado em que os atletas estavam comemorando e ninguém ouviu. O vídeo e o áudio não comprovam absolutamente nada. O clube afirmou que ia apurar, mas não confirmou nada.
Não houve confissão.
NO mínimo temos uma dúvida do cometimento da infração.
O pedido é para absolvição do clube”.

Diretor Jurídico do Grêmio, Nestor Hein concluiu a defesa do clube e explicou a ação no caso em concreto.

“Examinamos cena por cena e tudo que ocorreu nesse jogo. Não posso apontar uma pessoa apenas para satisfazer e não ter uma condenação. Como advogado e minha boa fé está em questão. Eu disse que apuraria e fizemos tudo para tentar identificar uma situação. Analisamos tudo cuidadosamente e apuramos tudo. O Grêmio teve novamente essa mácula. Trabalhamos muito na prevenção. A absolvição será um estímulo para seguirmos trabalhando”.

Após analisar todas as provas e ouvir as sustentações orais, o relator do processo, Auditor Mauro Marcelo de Lima e Silva afirmou que o recurso do Grêmio merece provimento.

“A prova da Procuradoria é uma versão editada que se dissipou.
Faltou a Procuradoria escutar e auscultar melhor o material e produzir um laudo pericial.
Face ao escasso material faltou um aprofundamento fonético.
É evidente que a intolerância e o preconceito devem ser combatidos.
Encaminho meu voto no sentido que a condenação deve ser revista absolvendo o Grêmio por insuficiência probatória”, justificou.

Vice-presidente do STJD, o Auditor Otávio Noranha discordou do relator.
“Caso gravíssimo e o clube denunciado é reincidente.
Ao analisar as imagens é fácil ouvir a palavra macaco.
De fato a injúria ocorreu. Infelizmente, mesmo com todo o projeto de ação do clube para combater esse tipo de conduta, o fato foi repetido de forma clara.
De fato é louvável o trabalho que o clube faz.
Mantenho a multa de R$ 30 mil ao Grêmio”.

O Auditor Ronaldo Piacente acompanhou o voto divergente e acrescentou.
“Pra mim ficou muito claro que houve injúria.
Sei do trabalho que o Grêmio vem realizando, mas não vejo como prover o recurso do clube.
Mantenho a decisão da Comissão”.

Os Auditores João Bosco, José Perdiz e Arlete Mesquita votaram com o relator.

Ultimo a votar, o Presidente Paulo César Salomão Filho afirmou ter ficado com muita dúvida.
“Nesse caso não tenho a convicção absoluta que foi proferida a palavra. Acompanho o relator”, concluiu."