Vai muito tempo, o então presidente do Conselho Deliberativo do Grêmio, Carlos Biedermann, nomeou uma comissão especial para estudar a Sociedade Anônima do Futebol, SAF.
Torpedeado, se apressou em garantir não haver nenhuma possibilidade do Grêmio virar uma SAF.
O tema então surgia proibitivo neste estado que despenca do mapa do Brasil.
Aos poucos, os clubes brasileiros foram aderindo e, hoje, o assunto é pauta tanto na Arena como no Inter.
Ouvi importantes dirigentes do Grêmio. Não pensam em transformar o clube numa SAF. Ainda. Isto significa que estão atentos ao mercado e que podem passar a pensar.
BRASILEIRO
Um deles cita os 10 primeiros colocados no Brasileiro (Botafogo, Palmeiras, Fortaleza, Flamengo, São Paulo, Inter, Bahia, Cruzeiro, Atlético-MG e Vasco) para afirmar que dois, Palmeiras e Flamengo, têm dinheiro e Botafogo, Fortaleza, Bahia, Cruzeiro, Atlético-MG e Vasco adotaram a SAF, com modelos diferentes.
fO Inter, afirma, montou um bom time mas se viu envolvido em problemas financeiros.
Alessandro Barcellos, presidente do Inter, diz que do ponto da competitividade o clube vive um modelo de sobrevivência:
“O Inter precisa avaliar o seu futuro e encontrar alternativas.
Eu não acho que a SAF é a solução para o nosso clube. A SAF é só um dos meios que já existem, mas há outros.
Temos que estudar os modelos de SAF que existem, pois outros clubes já estão fazendo isto".
O advogado Alexandre Chaves Barcellos, vice presidente do Inter na gestão Medeiros, acha possível o clube ser competitivo sem virar SAF. Mas precisaria de uma gestão competente.
Tivesse que virar SAF, Alexandre Chaves Barcellos diz que antes disto deveria construir o CT com recursos próprios, equacionar as dívidas e manter 51% das ações no mínimo, e promover um plebiscito entre os sócios:
"Se não fizer isto vai arrumar aí R$ 400 ou R$ 500 milhões.
Três ou quatro jogadores da base gerariam esta renda".
A FRASE FAMOSA
Ouvi de alguém que a dívida do Inter, a situação financeira complicada, está no DNA do clube.
Gilberto Medeiros, presidente em 1987 é dono de uma frase que ficou famosa:
"Não vim para ganhar títulos, vim para pagar títulos". Mas é possível que a situação tenha chegado ao extremo.
Nesta semana publiquei no meu blogue (www.correiodopovo.com.br) carta do movimento político Sangue Colorado, preocupado com as finanças do clube e com os apelos da gestão para contração de financiamentos de alto risco (debêntures), elaborou um apanhado histórico do cenário das dívidas fiscais do Internacional. Trechos.
”Para a obtenção dos dados, foram utilizados os balanços.
O resultado foi externado pelo Conselheiro André Miola na reunião do Conselho em 30/9.
A dívida fiscal vem aumentando a cada ano que passa. No ano de 2020 (primeiro ano da gestão Barcellos), a dívida aumentou para R$ 219,4 milhões.
Pelo balancete de julho de 2024 a dívida fiscal está na impressionante cifra de R$ 348,6 milhões.
É imperioso lembrar que Alessandro Barcellos foi Vice de Administração e Finanças entre 2017 e 2019.
O Diretor Executivo de Finanças era Giovane Zanardo, promovido por Barcellos à CEO do Clube desde 2020.
O Movimento Sangue Colorado lembrou que a Lei do Profut (Lei 13.155), a qual se vinculou o Inter, prevê uma série de obrigações, dentre elas a de estar em dia com os tributos, com o INSS, os salários e FGTS (art. 4º, incisos I e VII), bem como de realizar as boas práticas de transparência, com devido zelo pela saúde financeira e econômica do clube, sob pena de enquadramento na GESTÃO TEMERÁRIA.
BOMBA RELÓGIO
Infelizmente a questão fiscal está rumando para uma “bomba relógio”.
O movimento não aceita que o assunto SAF seja tratado como questão de “vida ou morte”.
É necessário que o Clube reveja as políticas de gestão administrativa e que estabeleça o mote de redução efetiva e gradual dos passivos. Ademais, o valor referente aos 20% dos direitos televisivos dos campeonatos brasileiros por 50 anos próximos foram integralmente contabilizados como receita realizada em 2023, inclusive as parcelas não recebidas.
O Conselheiro do Inter, Giovani Dagostim, fez uso da palavra no Conselho Deliberativo e teceu críticas ao superávit artificial gerado nas contas de 2023. Outro Conselheiro integrante do Movimento Sangue Colorado, Edson Brum, destacou que o fato poderia ser considerado como uma espécie de “pedalada fiscal”.
A ata referenciada encontra-se arquivada no Conselho Deliberativo, podendo ser objeto de consulta.”
Grêmio ainda não pensa em SAF. Parte do Inter não vê SAF como assunto de vida ou morte
Aos poucos, os clubes brasileiros foram aderindo e, hoje, o assunto SAF é pauta tanto na Arena como no Inter.
