Na coluna de segunda-feira, tratei da fritura interna provocada pelo rebaixamento do Grêmio. Dirigentes antes especulados para suceder Romildo Bolzan Júnior na presidência sucumbiram diante do fracasso do futebol.
Fui lembrado de um texto publicado aqui mesmo e no meu blogue vai muito tempo sobre a origem do Grêmio apoteótico. Segue.
“Setembro de 2016. Adalberto Preis é anunciado como vice de futebol.
Assumiu impondo a condição de ter Renato como treinador. Romildo relutou, mas aceitou.
Preis bancou Odorico Roman como diretor contra tudo e todos, e buscou o reforço do companheiro de décadas, o doutor Saul Berdichevski.
Preis, Renato, Odorico e Saul. Como eles, o Grêmio começou a quebrar um jejum de 15 anos sem conquistas importantes.
O quarteto é a origem desta nova fase que deu uma Copa do Brasil e uma Libertadores, além de um vice Mundial, uma semifinal de Copa do Brasil e um quarto lugar no Brasileiro.
Havia Espinosa, mas este foi desembarcado no caminho por peitar Odorico. Preis largou a vice para Odorico, que manteve Saul Berdichevski no futebol. Renato renovou por mais uma temporada.
Na base deste Grêmio campeão, melhor time do país em 2017, está um time de dirigentes de fazer inveja: dois veteranos, Preis e Saul, e um noviço, Odorico, que causa ciúme aqui e ali.
Saul vai sair, pois precisa atender compromissos profissionais, e Odorico dificilmente será convencido por Romildo a ficar.
Há uma disputa silenciosa pelos cargos. Embora assumir o Grêmio assim seja uma faca de dois gumes. Se, sempre no condicional, se Odorico e Saul deixarem os seu cargos, quem entrar pegará um time montado, estruturado e embalado.
E com as finanças do Grêmio em dia. Portanto, com tudo para repetir em 2018 o sucesso de 2016 e 2017. Mas futebol não segue receita de bolo. Em caso de recaída, quem entrar será fortemente cobrado.”
Hoje, esta coluna surge como uma profecia. Dias atrás soube que na verdade Odorico não saiu, foi saído. Na época, de forma elegante, Odorico disse a este colunista que deixava o cargo por pressão da família. Verdade. Da família gremista, se é que me faço entender.
Desconheço os conhecimentos de Odorico quando o assunto é futebol. Porém é inegável que, com ele assessorado por Preis, as coisas funcionaram. Aqui lembro de uma coluna que levou como título “Empatia”. Dizia assim: “Para mim, empatia é um grande acontecimento. Assim como afinidade. Não desmereça o poder destes sentimentos”.
Havia afinidade no Grêmio de 2016 e de 2017. Em meados de 2018, não havia mais Grêmio. Era apenas Renato. Isto não foi percebido e custou um trágico rebaixamento.
Grêmio, da origem da glória ao rebaixamento
Preis, Renato, Odorico e Saul. Como eles, o Grêmio começou a quebrar um jejum de 15 anos sem conquistas importantes
