Hiltor Mombach

Grêmio: derrota para comemorar

Jogos como o desta quarta-feira entre Grêmio e Barcelona de Guayaquil são paradoxais.
Em tese, o time em abissal desvantagem deveria estar tenso, nervoso, preocupado em reverter a situação, e o em enorme superioridade de sangue doce. Isto em tese.
Com 3 a 0 na cola, jogando numa Arena entupida e eufórica, o Barcelona atuou de sangue doce e o Grêmio mostrou-se tenso.
Levou 1 a 0 e a tensão invadiu timidamente as arquibancadas porque a vantagem ainda enorme.
Tomou uma no poste e o nível de tensão aumentou.
Vacinados, muitos torcedores certamente lembraram da partida da véspera entre Lanús e River e do ditado que diz que um jogo de futebol só acaba quando termina.
A TV flagrou Renato ensandecido ali pelos 20min do segundo tempo, muito por culpa dele:
o Grêmio seguia demasiadamente recuado, jogando no esquema chama-tragédia.
Melhorou depois, perdendo até dois destes gols que o torcedor chama de feitos.
Passar, passou, e disto até os quero-queros do bairro Alfândega de Garibaldi tinham certeza desde o jogo de Guayaquil.
O gremista deve estar dividido entre extasiado e preocupado: o time está na final da Libertadores, mas o futebol de ontem será suficiente para garantir o tri contra um inimigo argentino?Renato errou ao começar com Cícero.
E errou ao mudar.
Era para ter iniciado com Ramiro e Luan; Fernandinho pela direita e Everton pela esquerda.
Escalou Cícero com Fernandinho.
Sacou Fernandinho para a entrada de Éverton quando deveria ter sacado Cícero para ter dois atacantes de velocidade buscando o contra-ataque.
Nem sempre o torcedor comemora uma derrota.
Nesta quarta-feira, foi uma derrota para ser muito comemorada.
Finalista da Libertadores!
O Lanús virou de 2 a 0 para 4 a 2 no upa-upa, contando com sua torcida e um rival apático, num jogo apoteótico.
Pontualmente, esteve melhor do que o River no segundo tempo, embora o árbitro tenha sonegado uma penalidade em favor do River.
Já vi o Grêmio jogar muito mais do que este Lanús diversas vezes nesta temporada.
Grêmio: Marcelo Grohe; Edilson, Pedro Geromel, Walter Kannemann e Bruno Cortez; Jailson, Arthur, Ramiro (Michel), Luan e Fernandinho (Everton); Cícero (Jael) Técnico: Renato Gaúcho.
Barcelona: Banguera; Pedro Velasco, Xavier Arreaga, Jefferson Mena e Beder Caicedo; Minda, Oyola, Ely Esterilla (José Ayoví), Damían Díaz e Marcos Caicedo (Erick Castillo); Jonatan Álvez Técnico: Guillermo Almada.
Público: 54.128 pessoas (51.065 pagantes)
Renda: R$ 3.370.918,00