Hiltor Mombach

Grêmio, do "amador" ao "profissionalismo"

O Grêmio ganhou a Libertadores de 1983 com uma equipe enxuta no comando do futebol.
O presidente era Fábio Koff, o vice de futebol, Alberto Galia e os diretores Túlio Macedo e Rudy Armin Petry. Como supervisor, Antônio Carlos Verardi.
Num tempo de informações precárias sobre jogadores, montou um timaço.

Uma diretoria também formada por abnegados, num tempo em que o termo profissionalismo não era usado do campo para fora, levou o Grêmio ao título Mundial em 11/12/1983. A direção na época: presidente: Fábio André Koff; vice de futebol: Alberto Galia; diretores: Túlio Macedo e Rudy Armin Petry; supervisor: Antônio Carlos Verardi; vices-presidentes: Adalberto Preis, Mário Leitão, Mauro Rosito e Ziuton Bohmgahrem.
Vieram os anos 90 e o Grêmio seguiu empilhado taças, entre elas a do bi da Libertadores.
A TV e as fitas de vídeo funcionavam como recurso para observar jogadores. Quase sempre o vice-de-futebol indicava, o supervisor sondava e o próprio vice fechada a negociação.

Com o aumento do número de campeonatos, a entrada definitiva dos empresários e um rodízio maior de jogadores veio a necessidade da chamada profissionalização do futebol. Por profissionalizar o futebol entende-se contratar alguém para assumir o futebol em tempo integral e nem sempre remunerar por conhecimento do assunto.
Remunerar um profissional para tratar do futebol passou a ser assunto estatutário. Surgiu quando da reforma do estatuto do clube, em 2003. Só em 2005, depois de ter caído para a Segunda Divisão, o Grêmio colocou a idéia em prática.
Nesta semana o gremista Fagner dos Santos publicou no site gremiolibertador.com matéria que levou o título de “uma breve história das direções de futebol”. É desta publicação, e autorizado por Fagner, que retiro alguns trechos, recomendando a leitura na íntegra.
”O primeiro diretor executivo de futebol remunerado para tanto foi o Mário Sérgio. Em resumo, foram 34 contratados em um período de menos de um ano. Do time que entrou em campo nos Aflitos, porém, temos bem a ideia da sua contribuição naquele ano: Galatto veio da base; Patrício, Domingos, Pereira e Escalona foram trazidos por ele; Nunes veio da base, Sandro Goiano, Marcel e Marcelo Oliveira, obra do Mário Sérgio. Na minha avaliação, oito jogadores foram boas contratações.”
A lista de Fagner tem ainda Paulo Pelaipe ( como assessor de futebol não remunerado e, depois remunerado) Rodrigo Caetano, Mauro Galvão, Cícero Souza e Alexandre Faria.
Sobre Cícero Souza, Fagner escreve:
“Em novembro do mesmo ano (2009), Galvão deu lugar ao Cícero Souza. Foi o Cícero o responsável pela montagem do último time que vestiu uma faixa de campeão de qualquer coisa pelo Grêmio – juntamente com o Guerra de vice presidente de futebol. E foi um dos mais longevos na função, sendo demitido apenas depois que trocou a presidência para o retorno do Odono, em junho de 2011. No período foram 26 jogadores contratados, sendo que considero boas contratações oito deles. Somando dois razoáveis, dá um aproveitamento de 38%.”

Conclusão do autor: “Nunca tivemos alguém realmente eficiente na função. Os melhores números são do Cícero Souza, mesmo precisando engolir o Odono boicotando ele em 2011 – foram poucos nomes para quase três anos e o melhor percentual de acertos, o que significa que rendeu mais com valores mais baixos. Pelaipe é o que mais trouxe jogadores péssimos pro Grêmio (12/40, ou 30% na primeira passagem e 10/23, ou 43% na segunda) – e isso que eu fui bonzinho.”
O arremate de Fagner: “Depois de todo esse levantamento, e somando com a atuação do Rui Costa, acho que apenas uma coisa é certa: chega de insistir nos mesmos nomes. Precisamos fazer algo diferente. E, principalmente, com alguém de fora da panela, com visão moderna de administração de futebol.”
Rui Costa entrou em 2013 a saiu agora. Sob o seu comando, desembarcaram 47 jogadores.
Desde a implantação do diretor de futebol o Grêmio conquistou três estaduais. E o título da Série B.