Sou um obsessivo confesso.
Tenho um apego excessivo a sentimentos do passado.
Já citei mais de uma vez uma frase de uma crônica de Nelson Rodrigues:
"O patético de nossa época é que o passado se insinua no presente e repito: a toda hora e em toda parte, a vida injeta o passado no presente. Olhem em torno e vejam. É terrível. O passado irrompe numa gravata, num gesto, num sapato ou num colarinho. Estamos usando os bigodões dos nossos avós. Há sujeitos que se vestem e calçam como os nostálgicos defuntos familiares."
Sofro da síndrome do coitadismo.
Bairrista confesso, padeço quando os times do Rio Grande do Sul vão a reboque.
Tenho apego excessivo aos tempos de ouro.
O Grêmio conheceu glórias recentemente.
O Inter vive do um passado que surge longínquo.
Vejam meu estado neste momento.
O Grêmio ficou em segundo lugar no seu grupo na Libertadores. Não conseguiu ser primeiro numa chave com, The Strongest, Huachipato e Estudiantes.
Pela Copa do Brasil empatou com o Operário-PR, um time da Série B, no primeiro jogo sem gol.
No Brasileiro, disputou seis jogos e perdeu quatro: Flamengo, Bragantino, Bahia e Vasco.
Contra o Flamengo foi amplamente dominado durante mais de 30 minutos.
O Inter não conseguiu ser primeiro na Sul-Americana num grupo com Belgrano, Delfín e Club Deportivo Real Tomayapo.
Um vexame.
Na Copa do Brasil ainda não encarou o Juventude.
No Brasileiro empatou sem gol diante do São Paulo com um futebol para lá de modesto.
Estava desfalcado, é verdade.
Mas e o grupo? Não tem grupo para um Brasileirão, que é longo? Mesmo com uma folha salarial que só deve perder para Palmeiras e Flamengo.
O time não deslanchou.
Para ir para os Playoffs da Sul-Americana ganhou por 1 a 0 do poderoso Delfín.
Coudet e a direção queriam aplausos por esta façanha.
Que o segundo semestre seja melhor.
