Nelson Rodrigues começa assim uma das suas crônicas: "Se me perguntassem qual a mais feia impostura da nossa época, eu daria a seguinte e fulminante resposta: — é a cínica promoção que se faz do jovem. Não há mais, como no passado, o conflito das gerações. Até os velhinhos nostálgicos, espectrais, da porta da Colombo, adulam a juventude."
Desde que o jovem não seja um goleiro! Aqui há uma cristalina adulação pelos veteranos. Vejam Felipão. O tititi é de que gostaria de contar com um goleiro veterano. Para este colunista, o tititi obteve desmentido de um dirigente do altíssimo clero.
O goleiro é o ser mais desacompanhado do mundo. É um ermitão solitário onde toda visita é indesejada. Mas eu falava de Felipão. Se for verdade que ele quer um Manga, que desembarcou no Inter trintão, está esquecendo o seu próprio passado.
Abro um parêntese para uma pergunta: quem será o Douglas de Felipão? Prossigo.
Eu estava em Medelín e caminhava sossegado até o estádio Atanasio Girardot, palco da final da Libertadores de 1995.
Depois de 90min deixei o palco do espetáculo, procurei um táxi nos arredores e retornei ao hotel onde escrevi várias laudas sobre a façanha do Grêmio. Nem se sonhava com estes tempos internéticos. O mundo cabia numa máquina de escrever.
A escalação do time campeão começava com um guri, Danrlei. Havia sido lançado dois anos antes com apenas 20 anos e, em 1994, colecionava o seu primeiro título, o da Copa do Brasil. Em 1995 já era campeão da Libertadores. Não preciso contar o resto da história. Os gremistas sabem de cor e salteado.
A atuação extraordinária de Gabriel Chapecó no Gre-Nal de sábado pode não ter sido por acaso. Aos 21 anos podemos estar diante de goleiraço. O futuro dirá.
Porém não preciso do futuro para cometer uma verdade indesmentível: importa mais a qualidade do goleiro do que sua idade.
Grêmio e o goleiro
Vejam Felipão. O tititi é de que gostaria de contar com um goleiro veterano
