Hiltor Mombach

Grêmio e OAS, desatando o nó

Após reler o contrato original entre Grêmio e OAS e juntar peças montei o quebra-cabeças.
Vamos lá desde o começo.
Pelo contrato original a OAS obrigava-se a ceder ao Grêmio a Arena desonerada de qualquer compromisso.
Afinal, o Grêmio havia entregue o Olímpico desonerado.
Aos buscar o financiamento de R$ 210 milhões junto ao BNDS a OAS deu como garantia o direito de superfície, o imóvel, no caso o estádio, e sua exploração.
Não houve a troca de garantias, os indicativos são de que o banco não aceita a troca, e isto impede que a OAS entregue a Arena desonerada.
Uma solução seria a construtora obter uma carta de fiança (a carta de fiança bancária equivale a dinheiro para efeito da gradação dos bens penhoráveis) pagando algo entre R$ 15 milhões a R$ 30 milhões ou todo o empréstimo.
Caso não faça isto, a Arena seguirá alienada pelos próximos sete anos (o financiamento foi de oito anos) e, até lá, a construtora não poderá levantar seus imóveis na área da Azenha. Ponto, nova linha.
Se há um ano e meio a OAS tinha convicção de que a Arena era um grande negócio, tanto que criou uma unidade na construtora, a OAS Arenas, para tocar estádios, mudou de pensamento após, entre outros fatores, ver o resultado do balanço da Arena Porto-Alegrense de 2013: R$ 42,7 milhões de prejuízo.
Não demorou para descobrir que gerir estádios não é o seu negócio. Ao prejuízo, soma-se a pressão exercida por Koff para obter a gestão da Arena, ou seja, comprar o estádio.
O rompimento OAS x Grêmio formalizado por uma declaração de Koff, aquela de que a “Arena não é do Grêmio”, tornou a construtora uma espécie de estranha no ninho Tricolor.
Posto o que está acima, Grêmio e OAS começaram a articular o negócio deflagrado por Koff na segunda-feira, a compra do estádio.
Não há sequer uma minuta de como se dará o negócio e há chance, remota, de que nem saia. O Grêmio constituirá uma comissão para buscar alternativas.
Uma pode ser o clube bancando o empréstimo com dinheiro do naming rights.
A atual gestão jura não haver interessados no naming rights e assim preserva o interesse da instituição.
Confirmasse um interessado que fosse e todo o negócio desandaria, com a grana do naming rights indo para a OAS.
Como pagar ainda a construtora?
Ora, só o Olímpico está avaliado em mais de R$ 140 milhões